A Ciência da Ascensão Espiritual

Ascensiologia é a Alta Ciência da Iluminação dos Mestres de Sabedoria, os Chohans. A Projeciologia entra aqui apenas como um treinamento preliminar. E como sugere a doutrina indiana dos Vimanas, a Ufologia é uma capa externa ou uma versão exotérica do tema.

Ascensão é a passagem da esfera solar da Hierarquia, para a esfera cósmica de Shambala, pelo portal da Sexta Iniciação, relacionada aos Sete Sendeiros de Evolução Superior dos teósofos.

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quarta-feira, 5 de novembro de 2014

O Novo Regulamento

por Luís A. W. Salvi

Os grupos de guerreiros toltecas atravessaram gerações orientados pelo Regulamento da Águia, com oito membros regulares centralizados pela energia dos casais de naguais-de-quatro-pontas (ou com “aura quádruple”).
Contudo, com a chegada do final do ciclo anunciado pelos Antigos as mudanças aconteceram. Como um nagual-de-transição e especialmente como um nagual-de-tres-pontas, Carlos Castaneda estava sujeito a um outro Regulamento para os trabalhos ascensionais, o qual não chegou a ser abertamente revelado em sua obra.
Agora diremos o que aconteceu de fato. Mas para isto devemos remontar inicialmente às origens das culturas locais, porque o Novo Regulamento possui uma misteriosa relação adicional com as sociedades dos maias.

1. A Terra dos Grandes Encontros

A América Central e o Anahuac mexicano eram conhecidos antigamente como “A Terra dos Grandes Encontros”. Nela se encontravam nações e culturas vindas de outras partes do Continente e até mesmo desde muito longe de outros Continentes.

Duas grandes etnias em especial compartilharam ali uma cultura comum: a maia vinda do Grande Sul (Andes sobretudo) e a nahua vinda do Grande Norte (estepes estadunidenses).
Estas nações seguiam um curso relativamente natural ou “primitivo” ainda, quando aportou no Golfo do México a grande expedição chinesa no século VI a.C., fugindo das transformações materialistas pelas quais passava a China. Buscavam um lugar seguro para depositar os seus Altos Saberes tradicionais, e através de contatos prévios tinham conhecimento de que aqueles povos naturais eram admiradores da Alta Cultura, a qual havia começado já nos Andes e no Peru fazia milênios atrás e com a qual eles tinham contatos eventuais através do Pacífico.

Foi assim que surgiu pois a Civilização superior do Anahuac, através da síntese produzida pela Olmeca em especial, chamado de "o Povo das Nuvens", ou seja, aqueles que alcançaram a necessária Visão. Estudiosos modernos assinalam a identidade cultural (estética e mitológica) da Olmeca e da China da época. Mesmo certos calendários sofisticados que se passou a adotar desde então no México, constatou-se advir da esfera da cultura chinesa. Uma vez semeado desta forma a Olmeca, os galeões chineses retornaram às suas terras com o pretexto de estarem realizando meramente viagens de negócios.
arte olmeca
Já naqueles primeiros momentos, a nação maia compartilhou destas novas informações, as quais guardou e tratou de desenvolver, enquanto que com o passar dos séculos muitas coisas se perdiam e transformavam no turbulento universo nahua.

As duas etnias traziam consigo a marca de suas origens. Os nahuas estavam especialmente marcados pelo xamanismo e pelo espírito atlante, assim como a força dos mitos ancestrais. Já os maias possuíam maior propensão à civilização e ao ecumenismo, assim como à energia da renovação e da profecia.

Com o passar dos séculos a grande cultura do Anahuc atravessou as suas etapas, e nada se comparou ao divisor-de-águas da Conquista. Ali a Nahua caiu sob a impopularidade da Asteca, porém a Maia resistiu como resiste até os nossos dias, tendo sofrido por isto uma especial perseguição à memória da sua cultura e civilização, contudo muita coisa se alcançou preservar através da memória oral.

2. O Nagual da Transição

Quando Don Juan conheceu aquele curioso jovem chamado Carlos Castañeda vindo da América do Sul, ele não suspeitava a enormidade das consequências daquele contato.
Carlos foi adotado pelo velho brujo como um pupilo, vindo logo a se aperceber do poder da narrativa de Castañeda. A popularidade dos relatos do antropólogo deram aos naguais a certeza de que o Conhecimento Silencioso longamente armazenado por gerações de guerreiros seria divulgado como jamais, e isto era quase tudo o que se poderia desejar então. O palco estava armado para uma transformação –um fim ou um recomeçou, ou ambas as coisas, prometia acontecer.

Contudo, a aparente inépcia de Castañeda e suas guerreiras para realizar certas tarefas tocou o alarme dos velhos mexicanos. Descobriu-se que o antropólogo tinha uma configuração energética distinta daquela que se supunha. E um astuto nagual chamado Silvio Manuel alcançou resgatar certa antiga informação sobre um Regulamento distinto que se aplicava a esse nagual diferente –um nagual-de-tres-pontas- que era Castañeda.

Caso os xamãs ainda estivessem de posse dos saberes nahuas originais, ele poderiam acessar os seus calendários para saber que certas transformações eram esperadas. Contudo, os nahuas havia muito tinham perdido as conexões com o Tempo Maior (mantendo esta informação restrita a pequenos círculos) e depois da Conquista a desagregação da sua cultura foi ainda mais profunda e traumática, restando poucos elementos culturais e muita necessidade de adaptação. Seguramente o Regulamento também estaria inscrito e datado através do Receptáculo da Águia, antanho existente no alto do Teocalli, o templo azteca.

Cuahuxicalli ou “Receptáculo da Águia”, a “Pedra dos Sóis” asteca

Neste cenário de perplexidade se deu a separação dos grupos e a despedida da mulher-nagual. Os velhos guerreiros haviam partido para o seio do Grande Mistério. Castañeda descreve no final de “A Dádiva da Águia” a visão que lhe apareceu então:
“Vi don Juan tomando a dianteira. E depois só houve uma fila de maravilhosas luzes no céu. Algo como um vento parecia fazer que a fila se contraísse e oscilasse. Num extremo da linha de luzes, onde se achava don Juan, havia um imenso brilho. Pensei na serpente emplumada da lenda tolteca. E depois as luces se desvaneceram.”
A partir dali Castañeda foi cada vez mais deixado à sua própria sorte, o que significa dizer também sujeito à influência de suas colegas. Criou-se então a polêmica Escola da Tensegridade onde misteriosos exercícios físicos (jamais mencionados antes com este ou com algum outro nome) ocupava o centro das atenções. Veio à tona as obras das guerreiras e de outros que supostamente orbitavam os ambientes de Carlos e até de seu mestre Don Juan.
Segundo alguns, este momento resultou numa descontextualização dos ensinamentos mexicanos, de resto comum numa situação de transição. Como alcançar a recontextualização? Castaneda foi parte de uma ponte para o futuro, cabe aos guerreiros que virão depois completar esta ponte.

Apesar da idiossincrasia de Castañeda voltada para as chamadas "energias inorgânicas" (elementais ou espirituais), ele era um homem ocidental moderno e porta-voz de ideias da sua cultura. Tinha preocupações sociais e carregava um desígnio especial que determinou o final da linhagem dos naguais. Nas práticas da Tensegridade descobriu a força dos trabalhos grupais, coisa que deve ser bem-conhecida na China através da egrégora das escolas de artes marciais.

Tal como Castañeda, havia outros membros de seu grupo vindos da América do Sul. Tudo isto favoreceu certa energia transformadora latente na cultura pré-colombiana, sepultada quiçá na memória viva dos nahuais. Para compreender melhor tudo isto, porém, devemos retornar à nossa narrativa anterior.

3. Os Dois Templos da Serpente-de-Plumas

Quando Castañeda alcançou a etapa central da sua produção literária, pode dar a conhecer os mistérios do Regulamento do Nagual. Sem entrar em outros detalhes aqui, cabe mencionar a associação simbólica realizada pelos brujos entre a estrutura deste Regulamento com a organização da colunata do templo dos Guerreiros da cidadela de Tula, Hidalgo, capital do reino dos toltecas, palavra que significa “artesãos”.
No alto deste templo existem oito colunas, onde a tradição nagual associa as quatro frontais humanizada às quatro guerreiras e às quatro posteriores quadrangulares e com inscrições aos quatro guerreiros (ver em “O Presente da Águia”, Carlos Castañeda, Ed. Record). Este templo seria um marco da cultura nahua porque ali pela primeira vez se usou o conceito de colunas, e claramente para sinalizar a posição dos iniciados como elos entre o céu e a terra. 
Uma referência icônica semelhante pode ser encontrada na descrição de Dwarika, a cidade de Krishna também chamada “a Cidade das Oito Portas”, como símbolo da dispensação espiritual árya.

Ora, este templo e toda a cidade de Tula estava consagrada ao grande rei Quetzalcóatl, da nobre linhagem de restauradores da cultura superior do Anahuac. A certa altura ocorreu porém mais uma trágica invasão bárbara na região, levando o rei a fugir com seu séquito pelo Golfo adentro.

Este rumo foi escolhido porque os toltecas tinham alianças no “outro lado” do Golfo em plenas terras maias, mais exatamente na bela cidade de Chichén Itza. Lá chegando o rei foi recebido com todas as honrarias imagináveis, a tal ponto que a própria cidade foi a ele entregue para co-governar. E ali, os toltecas tiveram uma grande oportunidade para atualizar os seus conhecimentos, graças à cultura maia mais preservada e evoluída.

Então se tratou de erigir um novo templo. Este contexto se relaciona à famosa profecia do retorno de Quetzalcoatl, que os astecas viram anunciada na forma de um cometa e depois na figura de Cortez (logo se arrependendo porém disto). Tal fato evoca o rito do Segundo Templo da Maçonaria (termo que possui significado semelhante a Tolteca) em torno da reconstrução do Templo de Jerusalém, simbolizando a ressurreição de Jesus e especialmente a segunda vinda do Cristo.
E isto foi já feito no chamado estilo maia-tolteca, com dimensões significativamente maiores e dois segmentos. Também por esta razão, neste templo, a colunata foi ampliada, e se observa ali a adoção de um duplo-padrão numérico, de tal forma que no recinto do fundo se preserva a estrutura das oito colunas toltecas, mas na área da frente encontramos um padrão novo de doze colunas... 
Certamente o altar chac mool e as duas grandes serpentes que ainda há diante da escadaria, seriam o nagual e a mulher-nagual.
Não houve portanto naquele momento uma simples substituição, se entendeu que ainda não seria a hora para isso, e não por uma simples questão de “diplomacia” política entre as partes mas por se entender haver uma situação de transição. O duplo-recinto significa que os dois modelos poderiam ainda conviver, assim como conviviam a cultura maia e a nahua que estavam agora reunidas em definitivo, para representar a Força Profética do Sul e o Poder Mítico do Norte. Após o 2012 porém, diziam os maias, as coisas já seriam diferentes. Afinal os maias seguiam dominando o calendário de conta larga que cedo se perdeu no Anahuac mexicano. Suas profecias anunciavam para o 21 de dezembro de 2012 a chegada de um “grande senhor”, como foi revelado neste ano pelos arqueólogos através da profecia talhada em pedra.

É este padrão de doze colunas que representa, pois, o Novo Regulamento ou o regulamento do nagual-de-tres-pontas. Já fazia tempos que este Regulamento vinha sendo usado pelos naguais maias, favorecendo excepcionalmente os propósitos e as aspirações dos Novos Videntes, longe dos atavismos do universo nahua sujeito ao velho xamanismo sempre restaurado pelas invasões bárbaras do Norte.

Naturalmente a “unidade” deste Regulamento é o valor 3 e os grupos geracionais possuem 12 membros, com seis homens e seis mulheres -maiores detalhes são dados em nossa obra “O Espelho de Obsidiana” (ver bibliografia ao final).

O valor doze está muito presente nas profecias (ver Apocalipse de São João), porém a descrição da cidade profética demonstra uma “nave de ascensão” completa com os dois grupos geracionais totalizando 24 elementos, um grupo interno chamado de “alicerces” simbolizado pelos doze apóstolos (é o grupo hierárquico antigo que realmente parte ou ascensiona) e outro grupo externo chamado de “portas” simbolizado pelas doze tribos (é o grupo humano novo que permanece ou retorna à Terra após receber a sua iniciação). No centro de tudo está o Cristo representando o nagual principal.
A América do Sul representa o palco para a manifestação plena destas novas energias, tal como anunciam as profecias teosóficas sobre o palco da Sexta Raça-raiz, que os nahuas chamaram por sua vez de “o Sexto Sol”, previsto para começar no ano de 2012.
A chegada do antropólogo sul-americano ao contexto mágico do México, reforçada depois por outros membros de origem semelhante, ativou estas energias latentes, produzindo o encerramento da linhagem tolteca ainda presa a atavismos. É como se o futuro estivesse reivindicando a sua parte, cobrando um esforço e uma renúncia, como um ato-de-fé para que o novo pudesse enfim emergir de fato.
Hoje podemos ver traços do Novo Regulamento –que poderíamos chamar de “Regulamento do Condor”- em muitos ensinamentos espirituais, alguns deles trazendo até mesmo informações complementares muito avançadas, tal como sucede na área da Ascensiologia.


Bibliografia:
CASTAÑEDA, Carlos
            “O Presente da Águia”, Ed. Record
SALVI, Luís A. W.

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