A Ciência da Ascensão Espiritual

Ascensiologia é a Alta Ciência da Iluminação dos Mestres de Sabedoria, os Chohans. A Projeciologia entra aqui apenas como um treinamento preliminar. E como sugere a doutrina indiana dos Vimanas, a Ufologia é uma capa externa ou uma versão exotérica do tema.

Ascensão é a passagem da esfera solar da Hierarquia, para a esfera cósmica de Shambala, pelo portal da Sexta Iniciação, relacionada aos Sete Sendeiros de Evolução Superior dos teósofos.

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terça-feira, 3 de agosto de 2010

O Vôo para o Infinito (a ascensão espiritual segundo Carlos A. Castaneda e Alice A. Bailey

Segundo os videntes da linhagem do nagual Juan Matus, existem na Terra 48 grandes faixas de emanações ou tipo de organizações provenientes da Águia. Podemos encontrar este número em outras tradições, tal como o sufismo de Gurdjieff.

48 é a soma do número de pétalas dos cinco primeiros chakras no hinduísmo, ou seja, um valor de quintessência. Mas como este valor se reflete e duplica no 6° centro (Ajna), devemos tratar aqui especialmente com tal reflexo.

Assim, se 48 era dividido no primeiro grupo como 12x4, de forma lunar, evocando os quatro Zodíacos associados aos quatro corpos e iniciações raciais, agora devemos ver este ciclo como 49 (donde o 50 quintessencial), de forma solar, e dividi-lo através de 7x7 dos sete planos solares. O zodíaco soli-lunar reúne estas duas possibilidades.



Segundo a tradição tolteca, quarenta destas faixas são apenas formais (elementais), e não tem nenhuma espécie de consciência. São simples estruturas evolutivas. Podemos equipará-las aos quatro ciclos da Árvore da Vida, representados nos quatro grupos decimais de Arcanos Menores, retirando-se as 16 cartas entificadas: 4 "Reis", 4 "Rainhas" 4 "Valetes" e 4 "Damas", os quais tem sido comparados por nós aos 16 elementos do antigo grupo do nagual ou ao grupo básico do Novo Regulamento Sinárquico.

Oito faixas de emanações têm vida consciente, mas apenas uma tem vida orgânica (ver O Fogo Interior, pg. 154 ss., C. Castañeda). Naturalmente, tal coisa se relaciona aos Sete Sendeiros Superiores de Evolução, que tomam os Chohans, dos quai seis deles conduzem aos planos extra-cósmicos, e um apenas mantém o mestre encarnado neste sistema solar (ver adiante).

Os "Seres Inorgânicos"

As sete faixas de "consciência pura" são os Sete Raios, emanados cosmicamente, segundo o Tibetano, a partir da constelação da Ursa Maior, naquilo que diz respeito à atual ronda evolutiva.
Segundo os informes teosóficos, os Mestres liberados têm nos seus horizontes cósmicos sete caminhos para optar. Podemos associar estes sete sendeiros aos sete reinos conscientes inorgânicos, como vimos acima.

Afirmam ainda os toltecas, que cada faixa deste grupo óctuple está constituída por três feixes de consciência. Assim, pode-se relacionar os 7 grupos de seres inorgânicos aos 21 "cernes abstratos" mencionados por Castañeda no início de O Poder do Silêncio (onde também os apresenta como "três conjuntos de seis cernes abstratos", o que modifica pouco o panorama).

Estas estruturas têm muito em comum com doutrinas astrais de várias escolas e até com a ciência. O algarismo 21 é comum nas tradições, e o cabalista o encontra no Tarô, na Árvore Sefirótica e na própria estrutura do calendário hebraico. Na religião egípcia, o mundo de Osíris têm sete portais guardados por três entidades cada um. É ainda o mesmo número de setores das três esferas do Bhavachakra tibetano, a Roda da Vida coordenada pelo deus da morte Yama.

Finalmente, Alice A. Bailey informa em Astrologia Esotérica, que os Sete Raios divinos emanados da Ursa Maior alcançam, nesta ronda, o nosso Sistema Solar através de três Constelações por cada Raio, resultando novamente em 3x7=21.

Os seres inorgânicos representam energias pares, e este Universo Paralelo define a base para a criação.

"Os antigos xamãs descobriram que o universo inteiro está composto de forças gêmeas, forças que se opõe e que se comple¬men¬tam. É irrefutável que nosso mundo é um mundo gêmeo. O mundo oposto e complementar a ele está povoado por entes que têm consciência, mas não um organismo." (Castaneda, El Lado Activo del infinito, pg. 242)

Tais "forças gêmeas" lembram o universo paralelo da moderna Teoria científica da Supersimetria. Estes seres inorgânicos têm a mesma longevidade do planeta, e neste sentido são eternos. "A Terra é a sua matriz". (op. cit., pg. 248).

Com o definitivo abandono do corpo físico, os xamãs se tornam eles mesmos em seres inorgânicos:

"...se convertem em seres inorgânicos, muito especializados, seres inorgânicos de grande velocidade, seres capazes de manobras estupendas de percepção. Os xamãs empreendem então o que chamam de sua viagem definitiva." (op. cit., pg. 247).

Tal coisa aproxima definitivamente dos destinos dos Chohans, os quais seguem cosmicamente por vias de energias puras e definidas de natureza consciencial. Nestas vias, que seguem normalmente além deste sistema solar, eles podem prosseguir evoluindo.

Hierarquicamente, os Sete Sendeiros também estão associados às Sete Hierarquias Búdicas existentes: Bodhisatva, Pratyeka, Manushi, Dhyani e Adi, já mencionados, além de duas categorias de Vajra, integrando com os 6 graus sistêmicos os 13 escalões do Duplo Sistema e o próprio Setenário Cósmico após a sua completa liberação. Este duplo sistema perfaz uma base iniciática dos universos-espelhos, porque incluem os planos físico e astral cósmicos. A ascensão é, com efeito, um mergulho no Mar da Consciência, que é Astral cósmico (na medida do registro linear dos planos), que é de certa forma a nossa origem espiritual.

Os Sete Sendeiros Cósmicos

A natureza dos Sete Sendeiros e os Centros cósmicos a eles conectados, conforme o transmitido pelo Tibetano através de Bailey, são:

1°. Sendeiro de Serviço na Terra => Físico Cósmico => Astral Cósmico;
2°. Sendeiro de Trabalho Magnético => Astral Cósmico => Mental Cósmico;
3°. Sendeiro de Treinamento para Logos Planetário => Mental Cósmico;
4°. Sendeiro para Sírio => Astral Cósmico;
5°. O Sendeiro de Raio => Mental Cósmico;
6°. O Sendeiro onde se acha o Logos => Búdico Cósmico;
7°. O Sendeiro de Filiação Absoluta => Mental Cósmico.

Como se observa, o nosso Logos apresenta um vínculo com o mais superior dos Sendeiros, aquele que conduz à mais elevada das esfesras acessíveis neste Sistema: o Búdico Cósmico, ou 4° Logos Cósmico. Isto é natural, porque se trata do Plano Quaternário de nosso Logos Cósmico, cujo Mestre está assentado no Búdico Cósmico, representando a sua meta evolutiva e o seu horizonte possível. É o Plano ao qual o nosso Logos aspira por unificar-se, e a crescente ascensão de Hierarcas até este patamar que representa o coração de nosso universo, fortalece o vínculo com este centro "cardíaco" maior e apres¬sa o dia em que uma grande realização cósmica terá lugar.

Todos os Sendeiros têm profundas afinidades entre si, e se destinam a conduzir ao Sol Central Espiritual. Cada um deles leva a uma das seis constelações que com a nossa formam os sete centros d'Aquele Sobre Quem Nada pode Dizer-se, no plano Búdico Cósmico, através das sete estrelas da Ursa Maior. Este 4° Logos representa a Fonte Setenária das energias sistêmicas, dominantes até final do atual Manvantara.

A transição para as esferas cósmicas pode ser realizada de uma forma direta, através do Salto Cósmico para outro Sistema, ou indireta em alguns casos, mediante o prosseguimento em nosso Sistema, cumprindo as etapas planetárias superiores no Ultrassistema. Por isto, quatro destes Sendeiros empregam as Escolas de Aprimoramento do Sistema Solar: Saturno (1° Sendeiro), Urano (2° Sendeiro), Netuno (3° Sendeiro) e Plutão (6° Sendeiro). O 4° Sendeiro pode realizar uma opção mais ou menos imediata, porque a energia de Sírio logo irá adentrar em nosso campo solar, substituindo de certo modo a da Ursa Maior já nesta nova Ronda que está iniciando, juntamente à das Plêiades e de Alfa Centauro. Os Sendeiros restantes também serão beneficiados com isto, porque Sírio é o 5° Logos Cósmico. Os 5° e 7° Sendeiros conectam diretamente com este centro, e o último deles coloca o Mestre sob a sua direta jurisdição.

De certo modo, os quatro Planetas de Aperfeiçoamento atuam como Átomos Permanentes para os planos físicos dos Sistemas cósmicos associados. Suas Escolas de Pós-Graduação proporcionam o Bacharelado Cósmico, enquanto as Universidades Intersistêmicas outorgam o Doutorado Cósmico.
As Escolas de Aperfeiçoamento, com os respectivos Sendeiros, Hierarquias Búdicas, Logos e Planos Cósmicos associados são:

SENDEIRO PLANETA HIERARQUIA LOGOS CÓSMICO (PLANO CÓSMICO) ESTRELA

1° Sendeiro: Saturno - Bodhisatwa => 7° Logos ("Físico") – Shamash;
2° Sendeiro: Urano - Pratyeka => 6° Logos ("Astral") – Plêiades;
3° Sendeiro: Netuno - Manushi => 5° Logos ("Mental") – Sírio;
6° Sendeiro: Plutão - Dhyani => 4° Logos ("Búdico") – Ursa Maior.

Alguns destes Sendeiros são provisórios por sua própria natureza. No 1° Sendeiro, o Bodhisatwa está identificado ao nosso próprio Sol (Shamash, 7° Logos Cósmico), e depois segue para o 6° Logos Cósmico. E no 2° Sendeiro, o Pratyeka identifica-se ao 6° Logos Cósmico mas depois prossegue até o 5° Logos Cósmico. A identificação é uma das técnicas empregadas nestas evoluções superiores. Para mais, ver nossas obras “O Portal de Farohar” e “O Livro dos Chohans”.


Da obra "O Espelho de Obsidiana", LAWS, Ed. Agartha

sábado, 29 de maio de 2010

NUTRIÇÃO ETÉRICA


Trabalhar a nutrição é uma forma peculiar de “entregar-se à Providência”. Após haver tratado de temas como vegetarianismo em O Evangelho da Natureza, e especialmente do frugivorismo em Os Frutos do Paraíso, incluindo algumas informações sobre o granivorismo, como sendo as dietas superiores humanas, é chegado a hora de abordar objetivamente o tema do jejum e da “nutrição etérica”, destinada regularmente à Hierarquia, embora também como experimento para a humanidade em vias de ascensão e eventualmente como forma de terapia -à parte a importância que tudo isto possa eventualmente apresentar ante um quadro de crise ambiental como aquela que a Terra começa a atravessar já a partir deste século.

Nisto, desde já deixamos claro que sequer tratamos propriamente da essência luminosa ou prana como “alimento” exclusivo. Muito daquilo que se classifica hoje como “alimentação prânica” (ou pranivorismo) é feito de forma incorreta, considerando envolver regularmente elementos físicos, embora não sólidos, como água. No livro “Os Frutos do Paraíso”, apresentamos o frugivorismo como uma transição (ou mesmo como alternativa) para o difícil “viver de luz” (sempre lembrando que esta “dieta” não prescinde de água, nos termos divulgados por Jasmuheen). Aqui aprofundamos este quadro, ampliando a “escada” de intermediação entre dietas não obstante ainda muito diferentes entre si.

A nutrição puramente luminosa, seria válida unicamente para os últimos estágios de evolução cósmica, portanto ainda além dos próprios quadros da Hierarquia. E neste plano, as dietas “etéricas” (ou elementares) de que tratamos aqui, representa um padrão intermediário que se encaixaria quiçá naquele “caminho-do-meio” do Buda, indo mais ou menos de encontro ao método “viver de luz” que já vem sendo difundido. De todo modo, aquilo que se apresenta aqui integra os recursos empregados pelos mais avançados iogues dos Himalayas.

A essência luminosa é uma base nutricional especialmente do seres divinos, mas torna-se também cada vez mais importante para os mestres hierárquicos (ligados à esfera angelical), tais como aqueles que estão se preparando para receber a sua Ascensão. Mas nem ali se dispensa certa quantidade (e até qualidade) de matéria, que no caso pode ser até algo simbólica ou parcial.

Não obstante, o trabalho com a luz (ou aquilo que chamamos o lado interno da vida) deve se cada vez mais incrementado no caminho da nutrição etérica. A luz representa o pólo oposto da matéria, e significa que a sutilização da matéria também depende do incremento da energia sutil. Não existe lugar para o vazio no Universo: cada coisa ocupa o seu lugar. A única forma de diminuir a matéria física, é aumentando a energia –é o que diminui os riscos de uma anemia, por exemplo.

A energia crescente faz funcionar melhor as glândulas, permite aproveitar mais os alimentos e as substâncias nutrientes, confere as calorias necessárias e ainda estabelece alguma ventura psíquica. Naturalmente, estamos tratando da importância de incrementar a meditação criativa nesta etapa.
Seguindo o ditado pelo qual “o homem é aquilo que come”, a nutrição sutil e luminosa reduz a estrutura física ao mais elementar e simples, permitindo o contato com suas origens primeiras.
Se nas dietas humanas tratamos das correlações entre raças e dietas orgânicas, o quadro etérico já extrapola praticamente o racial e, portanto, o plano geral da presente ronda cósmica de evolução. Todos os experimentos pioneiros e práticas precursoras realizadas nesta esfera, representam recursos excepcionais e exceções neste ciclo-maior, porque inexiste uma cultura geral baseada no jejum e no eterovorismo. Assim, aquele que realiza experimentos nesta área, está positivamente atuando no campo do pioneirismo, com todos os riscos que disto podem advir, e abrindo caminhos para uma cultura futura. Como contraponto, no Oriente, este método se chama Bigu e Kigong, sendo considerado bastante popular (existe muita informação a respeito na internet).

Neste campo, mais que em qualquer outro, é preciso invocar as 90% de estruturas do DNA desativadas (tolamente descritas pelos cientistas como “lixeiras” da evolução), como recursos potencial para permitir atividades excepcionais, tal como a reativação de certas glândulas.

E nisto, comentar ainda a parcialidade de certos pontos de vista da ciência, como ao julgar que certas estruturas permitem pensar que o homem um dia já teve um olfato apurado como o do cão, e que isto represente meramente coisa do passado, e não algo que pode ser (re)ativado. É diferente com relação aos potenciais mentais, onde se considera que os mesmos 90% ociosos da mente ainda não foram desenvolvidos. A separação feita entre o físico e mental, reflete basicamente a ignorância da ciência em relação aos caminhos práticos para explorar as potencialidades mentais.

Estas cadeias de DNA ditas “abertas” ou desativadas “representam, isto sim, potencialidades latentes, presentes em nosso Plano arquetípico, feitos que somos à imagem de Deus, embora sem termos alcançado ainda esta integridade.” (Os Frutos do Paraíso, Prefácio).

Neste sentido, recomendamos como complemento a leitura de nossa obra citada, por apresentar amplas considerações sobre o desenvolvimento das potencialidades orgânicas no ser humano, ativadas pelo despertar de uma autêntica espiritualidade ou, como também chamamos, daquelas realidades pertencentes ao outro lado da vida. De fato, apenas recomendaríamos as práticas descritas no presente livro, após o exercício do frugivorismo ou do granivorismo. Mesmo Jasmuheen parte destas premissas, no caso, em relação ao vegetarianismo.

Tudo isto são deduções, interpretações e especulações que abrem possibilidades e oferecem possíveis explicações. Na medida do possível e dentro das nossas limitações, procuraremos ser científicos a respeito destes complexos e inusitados assuntos, entre eles o da nutrição elementar, temas aos quais a Ciência afinal simplesmente não se detém, posto que quase toda a sua inclinação se volta para conhecer cada vez mais as “regras” comum, uma vez que, ao contrário da Sabedoria, a Ciência não está muito a serviço da expansão das possibilidades humanas, num sentido maior do termo, e sim da Indústria econômica, além de estar em parte a serviço dela própria numa certa busca da “Verdade”, naquilo que constitui hoje a sua melhor parte.

Da obra "Nutrição Etérica" (Introdução, segmento), Editorial Agartha

O CARÁTER CÓSMICO DO BUDISMO MAHAYANA *


Além da Cabala, talvez a única doutrina que se compare à Mercabah em vastidão e profundidade seja o Budismo Mahayana e Vajrayana. Ao contrário da palavra "cristianismo", que pouco significa em si, a palavra "budismo" é exata porquanto tal doutrina ensina positivamente acerca da natureza dos Budas. Neste sentido, o Budismo apregoa doutrinas tão amplas e variadas, que são capazes de servirem mesmo aos Iniciados cósmicos (Bodhisatvas, Budas), de forma direta ou através das analogias que oferece.

Os vários panteões trazidos pela Escola Vajrayana do Tibet, ilustram muitas classes de hierarquias, reunidas em mandalas de Bodhisatwas, Dhyani-Budas, Taras, Daquinis, Herukas, etc. As duas auras dos Budas (cardíaca e coronária) estão relacionadas aos dois planos da Mercabah e se referem positivamente aos dois arcos ou momentos evolutivos de santificação do Bodhisatwa e de glorificação do Buda, simbolizados pelas suásticas opostas.

Na verdade, nisto tudo se observa uma influência hinduísta tão poderosa, que alguém poderia ser levado a perguntar a razão desta "cópia" e, especialmente, a indagar como este aparente "plágio" teve tamanho sucesso e oportunidade. Ocorre porém que, face à evolução das raças, fazia-se mister uma nova energia e um novo dharma. Para isto veio ao mundo um novo Avatar na figura de Gautama, reconhecido pelos hindus ao incorporá-lo no seu próprio panteão de Encarnações de Vishnu. Tal como Jesus não veio revogar a velha lei de Moisés mas completá-la, o Buda tampouco veio revogar a lei hierárquica de Krishna, mas sim apresentar novos métodos espirituais, menos formais. Neste sentido é que certos comentaristas criticam nas correntes "tardias" do budismo a profusão de deuses, numa doutrina originalmente tão "pura" que sequer representava ser um religião, mas antes uma filosofia ou até uma psicologia. Demonstram com isto ignorar a natureza do conhecimento ocultista e não compreender a evolução natural do Budismo, que assimilou e renovou todo o corpo doutrinal hindu. Do Hinduísmo restaram hoje doutrinas mais genéricas, ao passo que o Budismo oferece uma aplicação ocultista bastante mais pragmática.

Cabe também observar o caráter cósmico potencial do Budismo, entrevisto na sua aproximação com a escola da Mercabah. O ciclo áryo, centralizado no Oriente, teve como dharmas principais o Hinduísmo e o Budismo. E este foi o ciclo da quintessência, de modo que tudo o que foi ali realizado apresenta um caráter por assim dizer "profético", na medida em que prepara as energias raciais para a grande transformação vindoura do mundo, que trará a Vª Ronda cósmica do nosso planeta. Basta observar para isto, que o próximo Buda aguardado pelos orientais –chamado Maitreya– será o quinto Buda, mais especificamente, o 5° Adi-Buda, ou Buda cósmico, "planetário" e não meramente racial. Esta é pois uma das explicações do vínculo misterioso existente entre Krishna e Maitreya. Até agora Maitreya tem permanecido como um Bodhisatwa no céu de Tushita, mas seu advento profético pode ser entrevisto em muitas antigas doutrinas. As doutrinas da Mercabah também preparam de forma mais ou menos consciente este novo momento cósmico de ascensão da Terra.

O Voto de Bodhisatwa


Existem Sete Sendeiros de Evolução Superior que os Mestres podem optar por tomar após alcançar a Sexta Iniciação. Neste grau eles realizam o contato definitivo com suas mônadas, e sabem exatamente qual a natureza sétuple de suas essências divinas.
Estes Sendeiros possuem várias associações, e é natural que, assim como se relacionam às individualidades superiores dos Mestres, também existam tendências definidas para cada época. Na época atual, um dos Sendeiros mais importantes é o do Serviço da Terra, seja porque estamos atravessando a Quarta Ronda planetária, seja porque estamos no âmbito do Sexto Raio.

Aquele que toma este sendeiro realiza, consciente ou inconscientemente, o Voto de Bodhisatwa, que consiste em renunciar à abandonar o planeta, de qualquer forma que seja, e persistir trabalhando pela redenção do mundo de forma independente do sofrimento que isto lhe possa causar. O voto envolve gestos, pensamentos e palavras, e numa versão budista clássica, toma a seguinte forma:

"Eu tomo sobre mim o peso de todo o sofrimento, eu estou determinado a suportá-lo. Eu não voltarei atrás, não fugirei, nem tremerei, não terei medo, não renunciarei, nem hesitarei –E por quê? Porque a liberação de todos os seres é o meu voto...
"Eu estou trabalhando para o estabelecimento da incomparável esfera do saber entre todos os seres. Eu não estou somente cuidando da minha própria salvação. Todos os seres devem ser salvos por mim do oceano de samsara pelo veículo do conhecimento perfeito." (Vajradvaja Sutra)

Quando o voto alude à "salvar todos os seres", esta "salvação universal" não representa propriamente atuar de forma individual em favor de cada ser, porque o trabalho do Bodhisatwa tem resultados de alcance coletivo.

Estes votos devem ser confirmados, senão regularmente, ao menos em certas datas-chaves, como as das passagens de ano, mas também diante de grandes decisões e iniciações.

O Voto de Bodhisatwa pode ser feito desde o momento em que o indivíduo ingressa no caminho espiritual, mas ele apenas pode ser feito até a terceira iniciação. Este seria, na verdade, o momento ideal para a realização deste voto, porque dele depende o avanço no caminho espiritual na Terra. Sem este voto, não é possível alcançar o grau seguinte –a iluminação– na Terra neste eón, de modo que o caminho se atrasaria muito. E é este voto, precisamente, que dá forças ao iniciado para suportar as terríveis provas do Quarta grau, denominada a Crucificação espiritual.

Assim, todo aquele que decide prosseguir evoluindo nesta vida, após realizar o alinhamento da Personalidade que proporciona as mais altas conquistas humanas, realiza naturalmente o voto de Bodhisatwa. Quando Jesus afirmou: "Pai: Que seja feita a tua Vontade, e não a minha", ele estava confirmando os seus votos. Mais recentemente, quando Maitreya declarou com o mesmo espírito: "O quê representa a dor de um homem diante da dor do mundo?!", também estava afirmando a sua determinação de serviço incondicional.

Por isto, é mais produtivo manter a consciência do caminho pessoal, ao mesmo tempo em que se segue avançando neste mesmo ciclo através do Sendeiro de Serviço Terreno. Diz o Tibetano a respeito:

"(...) ao receber a sexta iniciação, todos os Mestres por sugestão do Cristo continuam tomando a decisão que controlará seu futuro progresso em um dos sete Sendeiros de Evolução Superior, mas –ao mesmo tempo– todos Eles tem proposto postergar este progresso nos Sendeiros que têm elegido, para complementar e ajudar durante um breve espaço de tempo no trabalho do Cristo e na exteriorização da Hierarquia, por intermédio de alguns de Seus ashrams." (Alice A. Bailey, Os Raios e As Iniciações, pgs. 536-7, Ed. Kier, Bs. Aires).

É dito também que esta permanência é solicitada pelo Senhor do Mundo a fim de se cumprir as necessidades evolutivas do planeta. Mas este "Cristo" que sugere a permanência no serviço da Terra, é também o Cristo interior ou a Consciência crística dos Mestres, que faz com que percebem as necessidades de seus serviços nesta Terra. Como eles não tem ilusões e se acham acima da dor e do prazer, estão capacitados a realizar tais esforços.

No momento atual da Terra, quando o planeta ingressa na fase final de sua Quarta etapa cósmica, devemos reafirmar em conjunto os Votos de Bodhisatwa, a fim de que o mundo possa concluir esta etapa intermediária de sua evolução cósmica, e se dirigir para o "Dia em Que Deus Será Conosco", na breve ronda planetária futura.

Metatron, Mithra & Maitreya

Segundo a literatura da Tradição gnóstica da Mercabah, Metatron é o nome que Enoch recebeu ao ascender ao sétimo céu, de onde teve a visão da Mercavah, o carro divino (o mesmo tendo ocorrido com Maitreya durante o Portal do Sol regido pela sétima Sephirah chamada Tipheret, quando recebeu a Revelação suprema). Enoch foi o primeiro a ser relacionado ao carro celeste em função de sua misteriosa ascensão a Deus (cf. Genesis 5, 21). Os dez Patriarcas existentes antes de Noé integram uma "Árvore Sefirótica", e o sétimo deles, Enoch, viveu 365 anos, número de dias do calendário solar, sendo que a sétima Sephirah é a do Sol (no Egito, 365 anos formavam sub-ciclos de "Anos Divinos" do Ciclo Sótico ou Siríaco, na fórmula 365x4=1.460). Da mesma forma Rama, príncipe da Dinastia do Sol, foi o sétimo dentre os dez principais Avatares de Vishnu.

A etimologia e a origem da palavra seguem, na verdade, em discussão. Sua única interpretação deriva do grego metathronon, que significa "próximo ao trono". Helena P. Blavatsky inclui a versão: "Hebr. O cabalístico "Príncipe das Faces", a inteligência da primeira Sephira, e o suposto diretor de Moisés. Sua numeração é 314, a mesma do título da Divindade Shaddai, o 'Todo-Poderoso'. É também o Anjo do mundo de Briah e o que conduziu os israelitas através do deserto e, portanto, o mesmo que "o Senhor Deus" Jeovah. Dito nome se assemelha à palavra grega metathronon ou 'próximo ao trono'. Metatron é, em grego, anjo (mensageiro), ou o Grande Instrutor (Doutrina Secreta, III, 388). Este nome se aplica igualmente ao Homem perfeito ou divino (Id., I, 362)." (Glossário Teosófico).

Embora seja pertinente tal interpretação, seu significado segue todavia polêmico. Por isto, inicialmente, devemos observar que, para Gershon Scholen, a verdadeira escrita era Mitatron, com "i", aproximando-nos do vocábulo Mithra, a famosa divindade solar árya (persa e hindú) que os romanos adotaram após conquista da Pérsia, e que os historiadores dizem que teria sido a religião universal caso o Cristianismo não tivesse vencido. Tão forte era o culto em Roma que, no sincretismo cristão, a data do Natal é tirada do evento solsticial que celebrava o "nascimento" de Mithra. A religião judaica recebeu também muita influência persa.

A Mercabah é a grande profecia da Última Raça, de natureza solar, preparando o grand finale deste ciclo cósmico. A Raça Árya iniciou na Era de Touro, e trion significa "bois (de lavra)". O culto mitraico envolvia sacrifícios de bois, remontando à mesma Tradição que gerou o culto ao boi Ápis no Egito e a adoração da vaca na Índia. O recinto onde se realizava o culto chamava-se Mitrayon, palavra que se assemelha ao sânscrito mitrayu ou ao pali mittayu, "afetuoso, amigo", simples variante de maitri. Relaciona-se assim ao Dhyani-Buda do Ocidente, Amitaba ("luz infinita"), sobretudo na sua forma de Amitayus ("vida infinita"), que os japoneses reunem na figura de Amida, o buda da Terra Pura, representante da família-lótus na mandala dos dhyani-budas. Amitaba é a corruptela de "Buda-Amrita", o superior de Avalokiteshwara (Chenrezig).

E com isto chegamos naturalmente ao nome do novo Buda, Maitreya, "o Amigo". Assim, Mitatron é o veículo de Deus, como o "boi do Sol" na Odisséia de Ulisses, ou o boi no qual Lao Tsé partiu para a Terra Eterna, sendo que as datas de Gautama são todas celebradas em Maio ou em Taurus, o querubin ou touro alado De resto, o único que se encontra realmente junto ao Trono de Deus é o último Avatar, Maitreya ou Kalki. Podemos assim sem muitas dificuldades encontrar os traços comuns destes nomes através da unidade etimológica árya.

* Mensagem divulgada pelo prof. Luís A. Weber Salvi no Dia da Despedida Cósmica, o 31 de Dezembro de 2000.

A CIÊNCIA DA MERKABAH


ao lado: Merkabah
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A corrente mística da Mercabah consistiu em uma gloriosa página da Astrologia Divina ou Hierofania. Verdadeira Ciência dos Avatares, a Tradição da Carruagem de Fogo, presente na linhagem dos Patriarcas, se mistura à Cabala tradicional fornecendo-lhe os fundamentos mais elevados, assim como aos conhecimentos budistas mais avançados. Por ser tradição e profecia, a presente matéria resgata a verdadeira imagem do profundo misticismo da Mercabah, hoje reformulada por expoentes da Nova Era, mas também revelada na sua forma e glória verdadeira através da Tradição da Cúpula de Cristal.
O misticismo da Mercabah representa uma escola esotérica judaica profundamente vinculada à Cabala. Sua fonte principal é o Zohar, embora beba das Escrituras, apócrifas ou não, como o Livro de Enoque e de Ezequiel, além de Daniel, Elias, Esdras, Salomão, Isaías e João, constituindo o cerne desta corrente de misticismo onde os seus adeptos buscavam ter uma visão da gloriosa Carruagem de Fogo de Iaweh que contém todas as formas da Criação. É uma imagem do Trono e da Glória do Criador, no qual todas as coisas estão de algum modo representadas. Naturalmente, se tratam apenas de símbolos das divinas realidades, a serem reveladas agora a todos nestes tempos finais pelo supremo Profeta do Deus Vivo, o Kalki-Avatar. Um historiador diz o seguinte:
"A tradição mística do primeiro período rabínico era conhecida como Maaseh Mercavah, uma vez que o propósito dessa tradição consistia numa visão do trono ou carro divino (mercabah), retratada no capítulo inicial de Ezequiel. A fim de chegar à visão, o adepto precisava entrar num estado de contemplação mística e depois passar por sete estádios ou "salas" (heikhalot). Cada sala é guardada por um Anjo, que não permite a passagem de ninguém que não conheça a senha mística correta. Tais senhas são nomes tirados de meditações e feitos de combinações de letras do alfabeto hebraico. Mercavah era uma tradição esotérica só transmissível a um estudante que já tivesse conhecimentos místicos, e só podia ser ensinada a um estudante de cada vez. Conta o Talmude que quatro sábios se dirigiram, numa jornada mística, ao Paraíso, e apenas um voltou incólume da jornada." (John R. Hinnells, Dicionário das Religiões)
De fato, a Mercabah é o carro divino no mesmo sentido de "trono" ou do "cavalo" sagrado que sustenta a força superior, assim como do Nirmanakaya budista que serve de base para a encarnação das energias cósmicas, ou seja, tudo isto representando o homem como receptáculo ou cálice para o poder superior. Segundo Blavatsky, "dizem os cabalistas que o Ser supremo, depois de ter estabelecido os dez Sephiroth (que em sua totalidade são Adam Kadmon, o Homem arquetípico ou celeste), os utilizou à título de carro ou trono para descer com ele sobre as almas dos homens." (Glossário Teosófico).
O grande personagem do ciclo literário da Mercabah é Metatron, palavra que costuma ser interpretada como "aquele que está junto ao Trono". Na angeologia cabalística, os "Tronos" representam uma das mais elevadas hierarquias angélicas, ficando atrás somente dos Serafins e dos Querubins. No Oriente Médio os tronos estão sustentados por quatro animais sagrados, da natureza dos querubin descritos em Ezequiel e São João. Na Ciência da Mercabah, esta seria uma aplicação secundária ou paralela da expressão, onde se poderia associar ao Brahma do Hinduísmo, o aspecto criador, civilizatório, manifestador ou demiúrgico de Deus.
A expressão lembra a profecia de Jesus no sentido de ir para o Pai e retornar junto ao trono divino, fato que deve ser identificado à última encarnação de Vishnu, o Kalki Avatar, assim como à chegada do 5° Buda cósmico, Maitreya. O papel do Manu racial, Avatar de Brahma (daí ser o Avatar do Brahmanismo) é o de instituir civilizações e administrá-las através das dinastias de Adeptos, que é a Hierarquia.
O misticismo da Mercabah pertence àqueles elevados Mistérios da Totalidade, de modo que se identifica profundamente com a mais alta ciência yogue e tântrica, como formula o budismo Mahayana e Vajrayana. Trata pois das mais elevadas questões a nível do microcosmos (ou, nos termos do Zohar, do Microcoposopus), ali onde ele se identifica plenamente ao macrocosmos (ou ao Macrocoposopus), que a Cabala denomina como o Adão Kadmon feito à imagem e semelhança do Criador. Sua base é amplamente messiânica, e por isto as narrativas da filosofia da Mercabah estão associadas à questões apocalípticas e escatológicas, ssim como às formas e aos ciclos divinos. Tratemos então da verdadeira "elevação" de Metatron.

A Esfera Divina - Os Pequenos e os Grandes Palácios

As diversas hierarquias do universo situam-se em posições definidas. Cada ente apresenta o seu próprio nível de energia, que não pode ser confundido com outros níveis. Assim, cada esfera inicia seus ciclos num dado patamar, de modo que, para se alcançar a esfera divina, é preciso ascender certos graus acima das estruturas humanas. Deste modo, cada esfera "descarta" certas etapas primárias, na medida em que apenas as emprega como bases elementares, mas sem possuir identificação real com elas, da mesma forma como um músico emprega um instrumento para expressar a sua arte, sem por isto confundir o instrumento com a música em si. Pois a necessidade do instrumento pode ser até transitória diante dos efeitos universais da arte.
Neste sentido, consideram-se "simbólicas" ou "preparatórias", desde o ponto de vista da Humanidade, a 1ª iniciação; desde o ponto de vista da Hierarquia, as duas primeiras iniciações; e desde o ponto de vista de Shambala, as três primeiras iniciações. Esta é a razão pela qual o primeiro grau é chamados de "humano", o segundo de "planetária" e o terceiro de "solar". Da mesma forma, as raças apenas são contadas como tais a partir da terceira humanidade-raiz, e os ashrams espirituais, apenas a partir da quarta etapa de manifestação racial. É neste sentido que a Filosofia da Mercabah fala dos Pequenos Hahalot ("Palácios") e dos Grandes Hahalot, referentes aos Mistérios Menores e aos Mistérios Maiores, respectivamente.
As stupas budistas que ostentam os cinco elementos, por vezes mostram três degraus na base de tudo. Sobre a tradição dos "Três Mundos de Esforços Humanos", o Tibetano (cf. Alice A. Bailey) fala atualmente de tríade inferior e quaternário superior, tratando-se estes dos quatro elementos superiores ou, como escreveu Bailey, dos quatro "éteres solares". Na imagem do "Chenrezig-de-Mil-Braços" (reunindo todos os aspectos do Buda ou o Trikaya), vemos os "pés-de-lótus" do Senhor surgindo da terra, no esplendor da Natureza simbolizada pelos Três Mundos" elementares. Nisto, observamos não apenas planícies, águas e montanhas, como também símbolos das "três jóias" (triratna) na terra, emanando fumaça, indicando a Criação manifestada como uma base universal.

Um verdadeiro "nascimento" espiritual é alcançado no 4° grau, após o Véu do Abismo da Árvore Sefirótica. E a nova ronda mundial também inicia agora, quando a humanidade alcança a quarta iniciação; esta ronda abre um ciclo ascendente de energias cósmicas. Será a reimplantação da "raça dos deuses", pois os deuses (ou os seres iluminados) nascem onde morrem os homens: na cruz da quarta iniciação.
Tanto o chackra básico tem quatro pétalas, como a primeira sephirah tem quatro divisões. Isto indica que a Iniciação: 1. Parte de uma base cosmológica estruturada; 2. Requer um contato pleno e sadio com a natureza e se dá através de uma reeducação sólida sobre as energias naturais. É este segundo nível que nos interessa nos Mistérios superiores da Mercabah, ou os Grandes Palácios.
Em A Exteriorização da Hierarquia de Alice A. Bailey, o Tibetano diz que os Evangelhos estão tecidos por "um fio de prata e um fio de ouro". Bailey teria revelado o "fio de prata", enquanto que o "fio de ouro" seria tema de uma futura revelação. Este "fio de ouro" é a visão dos Evangelhos dentro do contexto especial da Mercabah, ou da revelação divina. Assim, se a visão corrente vê nas escrituras temas literais (deparando-se daí com paradoxos insolúveis), a visão mística vê em Jesus um iniciado que cumpriu todas as etapas do sendeiro. Para o Tibetano (cf. Bailey), o próprio Jesus tinha apenas cinco iniciações, embora o Cristo que ele encarnou tivesse outras mais. Não obstante, a Tradição não admite rigorosamente tais separações, vendo os Evangelhos como a descrição de um único Ser divino.
Assim, o nascimento na mangedoura não é apenas a 1ª iniciação, mas a 4ª, donde a estrela-guia que neste caso é o próprio iniciado (iluminado), cuja aura é vista pela Hierarquia (os Reis Magos). A cruz é uma representação do mesmo drama sob um outro aspecto.
Na visão "áurea" da Mercabah, devemos considerar já os primeiros atos de Jesus sob a sua condição de Adepto, ou 5ª Iniciação. A estrela-guia representa aquela iluminação precoce que caracteriza as encarnações divinas, alcançadas na idade de 30 anos e após 12 anos de esforços espirituais regulares. São os 12 anos (a "infância mística") em que o "deus-menino", após desaparecer por três dias (sua "sepultura mística"), ressurge instruindo no Templo. Isto significa que Jesus era um Mestre já aos 30 anos, como acontece com todos os Avatares, ainda que não plenamente divinizado, porque se tratava de um Bodhisatwa renunciante do nirvana e que deveria passar por outros processos (como "ir para o Pai"), até surgir como um verdadeiro Messias ou um iluminado completo. Estes ciclos divinos e outros devem ser observados pelos sábios que estudam a Mercabah ou o Carro divino, que é de fato a Ciência dos Avatares.
Os cabalistas da Mercabah levantaram muitos dados relativos aos processos e à natureza divina, montando um mosaico complexo que apenas pode ser totalmente desvendado pela própria divindade. Dada a vastidão, a elevação e a complexidade do tema, é natural que apenas o próprio Metatron possa revelar os verdadeiros mistérios da Mercabah, uma vez que está a eles intimamente integrado, da mesma forma como o Apocalipse diz que apenas o Cordeiro é capaz de "abrir o livro selado com de sete selos" (que é o próprio Apocalipse). Diz-se que existem sete níveis para cada revelação, um para cada plano de consciência, e Metatron atua no nível supremo.
É também neste sentido que se diz que a divindade da Mercabah "emerge de mundos desconhecidos através de 955 céus" para assentar-se no Trono da Glória. Isto se identifica às 960 pétalas do chakra coronário (o 7° centro numa visão parcial ou o 10° analisando os chakras "internos" superiores) no yoga tântrico hindu, e que é a 10ª esfera da Árvore Sefirótica, assim como as 952 mãos do Nirmanakaya (corpo de manifestação ou Personalidade) do Buda da imagem do Chenrezig-de-Mil-Braços, que são aquelas menores e mais exteriores no círculo central da imagem. As 40 mãos centrais pertencem ao Sambhogakaya (corpo de compaixão ou Alma) e as 8 mãos internas (com objetos) pertencem ao Dharmakaya (corpo de irradiação ou Espírito) do Buda.
A expressão "Glória divina" é comum nas escrituras, especialmente em Ezequiel, e costuma ser associada ao símbolos do arco-íris e da nuvem. O arco-íris é uma formação luminosa que relaciona os opostos, em termos de fogo (Sol) e água (chuva). Metatron assenta-se no sétimo Hahalot (palácio). Por isto o Arcano VII do Tarô, denominado "Carro de Deus" (Mercabah), é também chamado "o Conquistador". Um bodhisatwa possui sete iniciações em seu próprio nível, mas seu caminho começa no 4° grau e se extende ao 10° grau, sendo este o arco-íris iniciático que ele centraliza nos símbolos. Cabala e numerologia são ciências gêmeas. De modo que devemos observar o que segue:

1. O "valor secreto" de 4 é igual a 10 (ou seja, 1+2+3+4=10), significando que a potencialidade do 4 é a de gerar mais seis elementos, de modo que sua atividade conclui na décima etapa (como "prova" adicional, 4+6=10).
2. A soma dos valores dos 4 números que vão de 4 a 7 é igual a 22 (ou seja: 4+5+6+7=22), que é o dos Arcanos Maiores do Tarô (ou o das "pontes" existentes entre as faces de Metatron);
3. A soma dos valores dos 7 números que vão de 4 a 10 é igual a 49 (ou seja: 4+5+6+7+8+9+10=49), como no 7x7 (o 7 fica entre o 4 e o 10). Trata-se pois do verdadeiro "candelabro" de 7 chamas descrito por Zacarias e João.

Tudo isto induz a um conhecimento superior, verdadeira Ciência das Grandezas que constitui tema para as mais elevadas abstrações.

A "Ciência do Trono"

Existe toda uma Ciência de Tempo-e-Lugar (e a palavra "horo-scopo" remete a esta dualidade) relacionada às circunstâncias em que o Senhor depõe os seus "pés de lótus" na Terra. Os "pés" de Deus são o Nirmanakaya, ou seja, a Encarnação divina (em sânscrito, Avatar), que representa tão somente o aspecto mais básico e inferior da Divindade, a soma de suas energias mais densas e a face calejada de sua glória. Como disse Krishna, "se Eu manifestasse toda a minha glória e poder diante dos homens, eles sucumbiriam ante o Meu esplendor." O fato é que o Nirmanakaya é uma poderosa "represa" de energias, na pesada cruz que o Bodhisatwa carrega pela expiação geral que realiza. Osíris é um "deus negro" (glória oculta) porque pena pelos homens e porque sua energia é sutil. Apenas se pode olhar o Sol de relance, e uma das melhores formas para isto é através da Ciência da Mercabah.
Podemos definir a Filosofia da Mercabah como a "Ciência do Trono". Suas revelações ensinam sobre as coisas de Deus, e todo o sábio verdadeiro deve se deleitar em conhecer as sublimes verdades do Senhor. Tal conhecimento pode apresentar muita utilidade e vários níveis de aplicação.
Num dado nível, estes elementos pertencentes à Tradição de Sabedoria devem ser conhecidos, a fim de se compreender o universo de uma verdadeira revelação divina e a partir disto se poder edificar uma cultura superior.
Os "Três Reis-Magos" dos Evangelhos foram sábios de Tradição que, orientados por suas Ciências Sagradas, foram capazes de identificar a divindade na sua chegada. No mesmo sentido, é dito que um grande sábio realizou a identificação do Buda no seu nascimento. Estes "nascimentos" devem ser entendidos, antes de tudo, em termos simbólicos ou espirituais, embora o conjunto dos sinais físicos do Nirmanakaya também devam ser considerados numa identificação hierárquica. Mas a tradição tibetana dos tulkus representa apenas um pálido reflexo destas realidades, minadas por superstições. Os "32 sinais de um Buda" são elementos semelhantes e permitiriam identificar com segurança e integridade uma Encarnação divina, sendo porém muitos deles igualmente simbólicos. Esta tradição advém do Hinduísmo, onde trata dos sinais do imperador universal que "move a roda do Dharma" ou Chakravartin, reforçando a natureza política da suprema manifestação divina.
Por tudo isto a filosofia, a simbologia e a métrica sagrada da Mercabah podem ser também designadas como a Ciência dos Tulkus, das Encarnações divinas ou dos Avatares. Segundo um Midrash, a divindade diria o seguinte aos doutores da Torá no Dia do Juízo: "Meu filho, se estudaste o Talmud, porque não estudaste também a Mercabah, e não percebeste o meu esplendor? Porque nenhum dos prazeres que tenho em Minha Criação iguala ao que me é dado quando os sábios assentam-se para estudar o Torá e, vendo para além dela, contemplam e observam, e meditam estas questões: Como é o trono da Minha glória, de que servem seus pés; como é o Hashmal (visto por Ezequiel); quantas expressões ele emprega em uma hora, e de que lado ele serve; como é o raio celestial; quantas faces radiantes são visíveis por entre seus ombros; e mais que tudo isto: a corrente de fogo sob o trono da Minha glória que é redonda como uma pedra feita de tijolos; quantas pontes se estendem sobre ela, de quanto é a distância entre uma ponte e a seguinte, e se eu a cruzo, por qual ponte passo eu; por qual ponte passam os Ofanim (uma classe de anjos), e qual os Galgalim (outra classe); e mais do que isso, como sou eu, das unhas dos Meus pés à risca do Meu cabelo; quanto mede o Meu palmo, e quanto medem Meus artelhos. Mais do que isto tudo: como permanece o trono da Minha glória, e que lado ele serve a cada dia da semana? E não é esta a Minha grandeza, não é esta Minha glória e a Minha beleza, que meus filhos conhecem Meu esplendor por estas medidas?' E disto disse Davi: Ó Senhor, quão imensas são Tuas obras." (citado em A Mística Judaica, de Gershon Scholem, pg. 72, Ed. Perspectiva, SP, 1972)
Os ítens citados neste Midrash podem ser interpretados nos termos das práticas cabalistas da Árvore Sefirótica. Existem quatro árvores, uma para cada mundo, de modo que cada um vai até onde lhe cabe. O Trono mencionado é o esquema geral das Esferas que serve de evolução para o microcosmos, a Árvore Sefirótica é o próprio Bodhisatwa. O templo de Ezequiel é uma cosmografia e uma mandala na qual São João se inspirou; suas quatro portas e rios reproduzem a imagem do paraíso, e dizem respeito às divisões da Árvore da Vida (ou a Árvore Sefirótica). O "raio celestial" é o Caminho-do-Raio (ou o "Pilar Central") da Árvore Sefirótica. A imagem das muitas "faces radiantes visíveis por entre seus ombros" (Metatron é o "Anjo das Faces", pois sua natureza ostenta todas as facetas divinas), podem ser vistas nas 11 cabeças de Chenrezig de Mil-Braços, que corresponde às 11 esferas da Árvore Sefirótica (onde Daath é Yama, Senhor da Morte). A "glória redonda como uma pedra feita de tijolos" está representada na aura magnífica dos Budas. As pontes que unem os setores da faces são os 32 Caminhos de Sabedoria (como os 32 sinais do Buda), associados aos 10 Sephirot e aos 22 Arcanos Maiores do Tarô (a Torá é o contrário de Tarô, pois enquanto uma trata das leis manifestadas e do templo externo, a outra trata das leis ocultas e do templo interno). Ofanim e Galgalim representam energias associadas aos pilares opostos de Rigôr (lunar) e Brandura (solar) –o Livro de Enoque é pródigo em angeologia, pois o Cristo é o "senhor dos homens, dos anjos e dos mestres".
As várias medidas do corpo e dos palmos representam ciclos astrológicos em harmonia e unidade. As medidas da Jerusalém celeste-Vaikuntha são 12x12, e no Zohar as 13 partes do Microcoposopus e as 13 partes do Macrocoposopus mostram bem a correlação entre os ciclos complementares, reafirmando o princípio hermético de que "assim como é em cima é em baixo". Isto é semelhante aos dois níveis da Cidade sagrada do Apocalipse, o das portas (com nomes das 12 tribos) e o dos alicerces (com nomes dos 12 apóstolos). Temos aqui uma poderosa indicação zodiacal, especialmente onde diz que "no meio da praça... há árvores da vida que frutificam doze vezes, dando frutos a cada mês." (Apocalipse, 22, 2 ss.). Em Marcos 14, 13-15 existe a descrição do local da Santa Ceia alusivo a uma casa de dois pisos que evoca os dois ciclos do Zodíaco, manvantara e pralaya (ou samsara e nirvana, referente às duas auras dos Budas): "Um homem levando uma bilha d'água virá ao vosso encontro. Ele vos mostrará no andar superior (de uma casa) uma grande sala arrumada com almofadas. Prepara ali a Páscoa para nós." No mesmo sentido, as esferas astrais regem os dias da semana, de modo que cada face do Microcoposopus olha para um dia diferente.
O texto do Midrash sugere que este estudo apresenta um valor superlativo aos olhos de Deus. Questionaria, talvez, alguém que, por sua "elevação", tal saber não oferece maior aspectos prático à humanidade. No entanto, o homem necessita conhecer Deus e, de resto, em algum nível este conhecimento lhe beneficiará diretamente. Isto não apenas engrandece o homem e a humanidade, auxiliando na consumação dos planos individuais e coletivos, como também fornece um saber essencial diante das perspectivas escatológicas. É preciso conhecer a divindade para se poder identificar e reconhecer a verdade em seus tantos matizes. Nem todos poderão ter um contato direto com Deus na sua encarnação, mas poderão estudar os registros de Sua chegada e a natureza de seus processos e ciclos, alcançando assim maior certeza na hora de acolher as suas doutrinas. Com os registros legados pelos místicos da Mercabah, podemos conhecer melhor a personalidade do Messias.
Enfim, é importante conhecer este Plano de Totalidade, porque de algum modo estamos todos inseridos nele, se temos algo a ver com o dharma. O verdadeiro servidor –aquele que tem humildade e é sincero no seu amor aos senhores– não se importa com as limitações de seus direitos porque compreende os seus limites pessoais e conhece o seu papel, sem ilusões. Os serviçais podem conhecer a mansão dos senhores, mesmo não indo dormir nos aposentos divinos e nem usufruir de todo de suas amplas salas, mas apenas para realizar os seus serviços de cozinha, limpeza e ordenamento, e de relance aurir do raro privilégio da atmosfera de Glória e vislumbrar, vez por outras as mais elevadas questões.
O bom servidor é aquele que se interessa pelo seu serviço e trata de fazer a sua parte sabendo da importância para o bom andamento das coisas –este é o caminho para ele ser recompensado e até promovido. No mesmo sentido, recebe a iniciação aquele que sabe cuidar os bens que recebe -sejam físicos, emocionais ou mentais–; aquele que é econômico, higiênico, organizado e criativo, mesmo que estes bens não sejam em princípio dele, posto que a rigor muitas coisas não nos pertencem, mas somos dela administradores. O cuidado em zelar por aquilo que se recebe demonstra se poder receber mais, e deste modo se termina por usufruir de muita coisa e até de possuí-las cada vez mais, se for o caso. Naturalmente, é preciso sentido de hierarquia para alcançar isto, e perceber que, agindo assim, estamos servindo àqueles que também se comportaram deste modo até chegar àquilo que são hoje. É claro que uma mansão necessita de vários empregados; ao menos de cozinheira, faxineira, jardineiro e um caseiro-geral (ou "mor-domo"). Nem todos necessitam conhecer toda a casa, mas, dependendo da função, isto será mais ou menos necessário. As funções podem até evoluir; mas o certo é que a ampliação dos direitos segue com o bom cumprimento dos deveres.
O conhecimento sagrado também possui a amplitude de uma grande mansão, com tarefas nos seus vários setores. Existem muitas portas de entrada para o templo, algumas mais próximas e outras mais distantes do altar. Todas elas têm a sua utilidade, e nem sempre aquele que abre uma porta mais distante é realmente o último a chegar até o altar: muito depende de como cada um caminha.
Conhecer a doutrina da Mercabah é como conhecer a verdadeira intimidade do Messias, e é uma forma de penetrar nos mistérios divinos. Podemos observar que o Budismo também contempla doutrinas esotéricas. A palavra "budismo" pode ser entendida de muitas formas; uma delas é a busca da iluminação (buddhi), e outra é o estudo da natureza dos Budas (ou seja, uma budologia, tal como os ocidentais também desenvolvem a sua cristologia).
No Apocalipose vemos como o Anjo mede o templo e a cidade divina com "medida humana" (Ap 11,1 e 21,15-17). Tratam-se de ciclos empregados na Mercabah e na Jerusalém celeste ou Vaikuntha. Os número 12 e 42 são os mais presentes, e na sua Enciclopédia Astrológica, Nicholas Devore menciona as "144 polaridades existentes entre o Sol e a Lua, cuja importância destacara Alan Leo" (pg. 48., Ed. Kier, Bs. Aires, 1981).
Mais que a questões literais, as "medidas de Deus" estão associadas aos ciclos divinos, seja dinamicamente através de suas iniciações, seja estaticamente através de seus horóscopos –os "sinais no céu" que revelam o Avatar. Assim, uma forma de observar o padrão-Mercabah no microcosmos é, à parte as iniciações tomadas de forma regular em consonância com o macrocosmos, através do horóscopo natal, que é um dado "natural" incluído na conjuntura sagrada: Metatron ou Maitreya nasce no exato momento em que os ciclos cósmicos encerram juntos para recomeçarem, expressando o máximo de harmonia nesta conjuntura; ele é a própria encarnação da síntese cósmica, e isto está refletido no seu horóscopo repleto de harmonia e unidade, simbolizando todos os novos dharmas (ver matérias sobre Astrologia Divina nas edições anteriores da Revista Órion, contendo inclusive a análise detalhada deste horóscopo na 8ª edição, assim como sobre o paraíso de Vaikuntha).
Assim, é natural que os sábios devam conhecer coisas tão importantes como:
– Quem é Ele e quais os signos proféticos que O anunciam na sua Vinda.
– Quando Ele deve se manifestar na Terra a fim de revelar toda a sua glória e esplendor.
– Onde ou em qual região em especial Ele realizará a Sua missão.
– Como ou sob que forma Ele ele se manifestará aos olhos dos homens, quais energias Ele revelará e quantas Iniciações trará em sua suprema manifestação.
– Porque Ele surgirá nestas circunstâncias e com qual finalidade específica.
A estas questões –quem, quando, onde, como e por quê– denomina-se As Cinco Perguntas Perfeitas, porque suas respostas –que podem ser dadas através das Quatro Ciências Sagradas de Agartha– fornecem tudo aquilo que se necessita saber sobre algo.
Para as questões avatáricas, mais algumas destas respostas podem ser encontradas na obra Maitreya – a Luz do Novo Mundo, de Luís A. W. Salvi.

A Visão dos Profetas

Diferentes profetas e videntes deram suas contribuições a distintas visões na construção da filosofia da Mercabah. Porém todas elas se complementam e revelam uma unidade enriquecedora e coerente. Comparemos duas das principais fontes, Ezequiel e Enoque.
Em Ezequiel (1, 4-28), a Mercabah é vista como um carro de vidro e fogo, tendo como "rodas" quatro seres vivos associados aos Signos fixos do Zodíaco, os querubin, destacado-se luzes, cores, movimentos e brilhos metálicos, além de uma presença como que humana e que seria Metatron. Esta descrição apresenta muitos pontos em comum com as montanhas de fogo coriscante das visões de Enoque (Capítulos L, XXVII e XXIII):
"... fui levado por um turbilhão e carregado para o ocidente. Lá meus olhos perceberam os segredos do céu e os da terra, u'a montanha de ferro, u'a montanha de bronze, u'a montanha de prata, u'a montanha de ouro, u'a montanha de metal líquido e finalmente u'a montanha de chumbo. E interroguei ao anjo que estava comigo e disse-lhe: - Que significam essas coisas que acabo de ver? E o anjo respondeu-me: –Todas as coisas que viste referem-se ao império do Messias e são uns símbolos de seu reino e de sua potência na terra. ...voltei-me para o sul. Lá queimavam, dia e noite, seis montanhas de pedras preciosas, três do lado do oriente, três do lado do sul. Aquelas do lado do oriente se compunham de pedras de diferentes cores; pérolas e antimônio. As do sul eram de pedras vermelhas. Seu pico se elevava até o céu, como o trono de Deus e era de alabrastro e em sua parte superior de safira. Vi também o fogo ardente que queimava sobre as montanhas. ...vi u'a montanha de fogo queimando dia e noite. Assim que me aproximei dela, percebi sete montanhas brilhantes, sendo uma distinta da outra. As pedras de que eram formadas eram belas e cintilantes, brilhavam e coruscavam à vista, e sua superfície era polida. Havia três no oriente e eram tanto mais inamovíveis por estarem uma sobre a outra, e três ao sul, sendo igualmente inamovíveis. Havia também profundos vales, mas separados uns dos outros. No meio se elevava a sétima montanha e todas essas montanhas apareciam ao longe como tronos magestosos e eram coroadas por árvores odoríferas. Perguntei ao arcanjo Miguel o que significavam e ele me disse: – Esta montanha que vês e cuja cabeça levantada iguala em altura ao trono do senhor, será o local em que descansará o Senhor de santidade e de glória, o Rei eterno, que virá e descerá para visitar a terra em sua bondade."
Observamos que neste texto as "montanhas" são inicialmente apresentadas em número de seis, e logo de sete. Tratam-se de visões distintas e de interpretações particulares. Tais montanhas são, na verdade, formas piramidais, e nisto temos os novos padrões desta simbologia central de toda a cultura sagrada. A expressão "reino do Messias" da explicação da visão, confere também uma dimensão de mesocosmos. Neste caso, as pirâmides surgem como símbolos raciais, posto que estamos abrindo a Sexta-raça-Raiz -são as "potências" do Messias, forças elementares expressas através das Raças sagradas. De fato, as montanhas reluzentes vistas por Enoque, constituem a imagem da Pirâmide divina da Cúpula de Cristal atrelada sobre as quatro novas pirâmides raciais, cada qual com seu metal peculiar. A cúpula cristalina da visão de Ezequiel é também uma pirâmide, assim como os quatro seres vivos (que a rigôr reproduzem as formas das esfinges), tal como demonstram hoje as novas grandes Tradições de Sabedoria da Cúpula de Cristal, a nível de Hierarquia, e Tetralucis, a nível de Humanidade.
Com efeito, as quatro tríades da Árvore da Vida formam uma pirâmide, havendo quatro Árvores associadas aos Quatro Mundos ou Emanações da Cabala: Briah, Yetzirah, Aziah e Atziluth. Por isto, existem quatro décades de naipes nos Arcanos Menores do Tarô (paus, copa, ouro e espada). São estas as Árvores do Paraíso que Enoch vê junto ao Trono e no seu entorno, assim como as quatro Pirâmides da base do Trono, que é em si o Grande Protótipo e a Quintessência, relacionando-se, por sua vez, aos Arcanos Maiores.
O carro de cristal da visão é Maha-Vishnu, o Chenrezig de Mil-Braços, a Árvore da Vida ou o Corpo Causal que os alquimistas denominam Vitríolo, os budistas Vajrakaya (Corpo Adamantino), os cristãos Corpo crístico. A Pirâmide da Cúpula de Cristal, em especial, é a visão da totalidade do mundo de Deus, ou seja, do trono e da glória divina que todos os grandes profetas buscaram e que agora é revelada ao mundo no final dos tempos.

A Difusão da Luz, na Idade do Espírito Santo

Muitas profecias afirmam que o conhecimento-total será revelado no final deste mundo, e a filosofia do Mercabah confirma isto. Em As Grandes Correntes da Mística Judaica (Cap. 2), Gershom Scholem confirma:
"Segundo os místicos da corrente da Mercabah, aquilo que hoje pertence ao domínio do saber secreto será do conhecimento universal na era messiânica. O Trono e a Glória que nele repousam 'serão revelados então a todos os habitantes do mundo'". (cf. o Midrasch Takhuna)
Este fato se deve, de um lado, à Idade do Espírito Santo, onde o fator-conhecimento adquire uma importância especial, mas também à chegada do novo ciclo cósmico -a 5ª Ronda planetária-, aberto por Maitreya-Metatron, cuja natureza será precisamente a Revelação. Isto implica, também, numa expressão de suma autoridade, como demonstra O Livro de Enoque (Caps. 47 e 49):
"Nesses dias, o Eleito sentar-se-á no seu Trono, e todos os segredos da sabedoria e da inteligência escapar-se-ão de sua boca; pois o Senhor dos espíritos dotou-o de uma glória eterna. A Sabedoria se escoa como água e a glória diante dele é inefável pelos séculos dos séculos, pois ele é poderoso em todos os mistérios da justiça. Com ele habita o espírito da sabedoria e da inteligência, o espírito do saber e da potência, o espírito daqueles que dormem na justiça; ele julga e discerne as coisas mais ocultas. Ninguém pode pronunciar um único nome diante dele, pois o Eleito está diante da face do senhor dos espíritos, segundo sua vontade."
Vivemos numa época de muitos profetas, falsos ou não, cabendo, porém, ainda a chegada do Mestre dos mestres. Nestes momentos torna-se imprescindível a presença de uma autoridade absoluta perante a qual já ninguém possa arguir ou debater, porque ela a tudo conhece, ilumina e abrange, harmonizando e purificando as coisas. É a única forma de ordenar a Babel hoje existente e unificar o mundo, formulando um saber realmente fecundo e universal. A autoridade espiritual e moral é necessária para organizar o mundo e restituir a face sagrada da vida. E uma das bases desta revelação divina está na doutrina da Mercabah, especialmente na forma da nova tradição da Cúpula de Cristal entrevista pelos profetas de Deus.

*Revista Órion de Ciência Astrológica, nº 9, FEEU, P. Alegre

A ORDEM ETERNA DE MELQUISEDEC


A Ordem de Melquisedec é a suprema Ordem dos Avatares, sendo por isto chamada de Ordem Eterna ou Divina. É também o protótipo das Ordens espirituais existentes, assim como o seu fundamento primeiro. Constitui-se pelos sete graus divinos que coroam os seis graus "reais" das Ordens históricas (tais como se apresentam na Nova Era), estando relacionados aos Sete Sendeiros Cósmicos que tomam os Chohans em sua liberação deste Sistema Solar, os quais astrologicamente iniciam em Saturno e terminam na Ursa Maior (associada a Shambala), fonte dos Raios Cósmicos para o nosso Sistema. As outras etapas cósmicas são as Plêiades (associada à Humanidade) e Sírio (associada à Hierarquia).
Os Avatares representam uma espécie de entidades que transcendem as formas deste Sistema Solar. Ou seja: eles as tem plenamente incorporadas e ordenadas em si. São por isto verdadeiros modelos de Microcosmos. Dito em outras palavras, assim como os homens de nossa humanidade possuem corpos físicos semelhantes, os Mestres divinos apresentam uma forma espiritual básica. Por isto o processo espiritual dos Avatares comporta um padrão uniformizado, presente no mito do deus-menino. Todos sabem pelos Evangelhos que a "idade crística" é de 33 anos. Na verdade, são 33,3 anos, onde os 30 dizem respeito ao aspecto místico, os 3 anos ao aspecto sagrado e os 3 meses ao aspecto divino. Esta fórmula temporal se completa com outra espacial 66,6, apontada no Apocalipse como o "número da besta" (666), e cujos 10 chifres podem ser associados às 10 iniciações do grau de Dhyani-Buda.
"Aquele-que-Faz-a-Sí-Mesmo"
Inicialmente, é preciso dizer que todo o Avatar é por definição um homem de escola. Apesar de ser um renovador, o Avatar é também o restaurador por excelência, enquanto encarnação de Vishnu, o deus da preservação. E se ele prossegue aparentemente só a partir de certo momento, é apenas porque a necessidade de autodidatismo se impõe por já não haverem instrutores ou mestres para ensinar-lhe, pois, como diz o Bhagavad Gita, ele só vem ao mundo quando o dharma está completamente perdido. Em compensação, a virtude e o conhecimento sagrado jorram abundantemente através de todo aquele que ultrapassa a barreira da Cruz.
De resto, nenhum Avatar possui pretensões a cargos formais. Muito embora seu "trabalho" fundamente Estados e Igrejas, ele mesmo posiciona-se no centro do prisma como Salvador e Instrutor do Mundo, sem quaisquer encargos históricos ou "pessoais". Apesar de restaurar as mais altas funções hierárquicas da civilização, Ele não as ocupa porque o "seu reino não é deste mundo". Deve, isto sim, preparar os Apóstolos para estas funções. Por isto disse o Tibetano acertadamente, através de Alice A. Bailey: "O pricipal objetivo do Cristo não será demonstrar o seu poder, senão fazer público o existente reino de Deus" (em A Manifestação da Hierarquia). Ele vem para ensinar e instruir, fornecendo é claro todas as bases espirituais necessárias.
A única Ordem à qual um Avatar pertence necessariamente é à Ordem de Melquisedec, a Ordem Eterna dos reis-sacerdotes "sem pai nem mãe", ou seja, sem Guia e nem Corpo formal. Ptah é o modelo egípcio do divino artífice ou demiurgo, como o deus autodidata que gera-a-sí-mesmo através de sua "masturbação".
A Missão é revelada aos poucos a este verdadeiro operário do sagrado que nada recebe de graça e inicia absolutamente do nada. Certamente ele se oferece em serviço, mas sabendo que o ônus será sempre maior que o bônus. E quando ele se ilumina é em princípio "apenas" para sobreviver, ninguém sonha a quantas crises e conflitos, inclusive com a Loja Negra, cujo poder lhe é então revelado na totalidade, por assim dizer, para seu terror e espanto. É quase apenas para enfrentá-la e sobretudo por fazê-lo que ele ressurge das trevas. No caso atual, o impacto do "nascimento divino" sobre o carma do planeta fez com que caisse o muro de Berlim, como na mística derrubada das muralha de Jericó por Josué. Também vimos que o mundo renasceu nas suas esperanças e aspirações vitais ("eis que vos trarei um coração de carne", diz a profecia). E com o tempo o Mestre compreendeu estar cumprindo certos padrões únicos de evolução espiritual, confirmando a Missão que lhe fora dada no ápice de sua cruz e desespero, trazendo esclarecimento e confirmação, consolo e estímulo.

O Avatar e o Patriarca

O encontro de Melquisedec com Abrahão foi um grande evento espiritual. Abrahão foi um "Avatar Menor", o Manu e grande Patriarca da sub-raça judaica que recebeu de Melquisedec as chaves daquela Nova Era que iniciava, em torno de 2.000 a.C. Pois Melquisedec foi o Avatar da Era de Áries, assim como o rei-sacerdote a cuja linhagem Abrahão e seus descendentes deveriam pagar o dízimo.
No Genesis, Melquisedec é chamado "Rei de Salém", e acredita-se por isto que era o soberano de Jerusalém, a futura cidade sagrada dos hebreus. Mas simbolicamente ele era o "rei da Paz". A paz é um atributo supremo ou polar, isto é, pertence às origens. Mas também representa o signo de Libra e o ideal de equilíbrio para a Era de Áries que estava entrando. Todo o Avatar possui uma característica equilibrante. Por isto Jesus nasceu da Virgem, o signo oposto a Peixes, e Maitreya nasceu sob o signo de Leão, oposto a Aquário.
Abrahão, um rei-sacerdote áryo, acatou o sacerdócio de Melquisedec, e um dos símbolos desta Ordem é a eucaristia do pão e do vinho. Jesus revitalizou esta forma de sacramento no início da Era seguinte. E entre seus milagres com espécies, atuou com o pão, os peixes e o vinho, multiplicando-os e até transformando-os em certas ocasiões. Como veremos, tudo isto se referia às energias daquelas Eras, assim como à sua evolução futura.

A Universalidade da Eucaristia

O significado dos símbolos eucarísticos é ainda muito misterioso, e o tema da transubstanciação das espécies tem sido muito mistificado e visto por vezes de forma bastante ingênua e até literal.
O pão ázimo é posterior a Melquisedec, pois foi instituído para celebrar a saída dos hebreus do Egito. Mas foi durante a diáspora que surgiu uma manifestação superior deste pão, identificado ao misterioso manah, o "pão do céu". O manah é o mesmo que manas, "mente" em sânscrito (donde a palavra Manu e talvez E-manu-el, o "deus conosco"). Trata-se pois da mente superior. Jesus disse: "eu sou o pão da vida" (João 6, 35) e "eu sou o pão vivo que desceu do céu, e quem dele comer viverá eternamente" (João 6, 51). Apenas pela mente superior o homem pode obter a vida eterna, porque se trata de uma dimensão associada ao divino, uma vez que faz parte da Tríade espiritual Atma-Buddhi-Manas, o Triângulo de Luz que alcança a Terra.
Jesus também afirmou que o pão representava o seu corpo. A repartição do pão não é apenas um símbolo de fraternidade; é também o sacrifício da forma, pois, tal como o corpo de Osíris foi dividido em 14 partes, Jesus atravessou as 14 estações da cruz (iniciações). Além disto, o pão é feito do trigo, associado à constelação de Virgem, cuja estrela Alfa é Spica, a espiga. Seu corpo físico pertencia à Virgem, como a espiga ao pão.
Os peixes simbolizam os discípulos da Era de Peixes, que se identificavam entre si através deste símbolo. Por isto os cristãos comem peixe na Sexta-Feira santa.
E se o vinho representava o seu sangue derramado, as transformações de água em vinho simbolizam que os sentimentos humanos deveriam sofrer uma transmutação para manifestar a compaixão universal.
A eucaristia do pão e do vinho representou de certo modo uma síntese do ideal áryo. Toda a Era de Áries esteve incluída no período da Raça Árya (donde o sue nome), e de certo modo Áries tem uma energia mental (de resto, a Quinta Raça foi sabidamente uma humanidade mental). A outra Era plenamente incluída nesta Raça-Raiz foi a de Peixes, com sua energia psíquica.
Este ideal de mente compreensiva e sentimento compassivo é conhecido no budismo como bodhicita, a "mente compassiva", que representa a síntese do ideário budista de iluminação para a humanidade.
Mas estes processos, além de construtivos, seriam também preparatórios e proféticos. Assim, o vinho diz respeito à Sexta Raça-Raiz, na qual "desagua" agora a Era de Peixes, sob uma mesma linha de energia: o Sexto Raio, de Idealismo e Devoção, cor de rubi, púrpura ou vinho. É assim que o elemento "Água", da Era de Peixes, seria transformado no vinho da compaixão nesta Sexta Raça-Raiz, oportunizando-a devidamente. Jesus veio para preparar este processo, a ser colhido por "ele mesmo" no futuro, porém sob uma expressão divina também maior, porque um Avatar de ciclo racial é sempre maior que um Avatar de Era astrológica.
No mesmo sentido, a Raça Árya "desagua" hoje na Era de Aquário, um signo de alta intelectualidade, sendo também este o pão celeste a ser compartido na época da fraternidade universal.*

* Da obra "A Promessa do Arco-Íris", Luís A. W. Salvi

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A TRADIÇÃO DIVINA DA CÚPULA DE CRISTAL


AO LADO: MERCABAH, "símbolo do reino do Messias e de sua potência na Terra"
.
A Ciência da Mercabah é, pois, tradição e profecia no mais alto grau, e ela anuncia as Novas Coisas vindouras na "consumação dos tempos", prenunciando a nova mandala cósmica. Tal como a Jerusalém celeste da profecia joanina, a Mercabah também envolve dois níveis. Os Pequenos Hahalot ("Palácios") referem-se aos Mistérios Menores destinados à humanidade, contemplados pela tradição Tetralucis (é o nível inferior da Mercabah, esfera de manvantara ou samsara); enquanto que os Grandes Hahalot referem-se aos Mistérios Maiores destinados à hierarquia, presentes na tradição da Cúpula de Cristal (nível superior da Mercabah, esfera de pralaya ou nirvana).
Por isto a Ciência da Mercabah representa a expressão maior da Unidade dos Mistérios, simbolizados pelo Cálice (Graal) e a Espada (Excalibur) na tradição celta, ou pelo lótus (padma) e a jóia (mani) na tradição budista –daí ser o Selo de Salomão (ou a "Estrela da Sabedoria") um dos emblemas sintéticos da Mercabah.
Além da tradição Tetralucis, que sucede hoje à tradição Trismegisto, surge assim uma revelação cósmica destinada à Hierarquia e à futura Terra Crística, no momento em que o planeta passa a ascender definidamente para esferas superiores às da condição humana, uma vez consumada esta evolução humana e quaternária.
A Tradição da Cúpula de Cristal representa a revelação destinada àqueles que suplantarão a condição humana, seguindo os rumos futuros do planeta Terra como Estrela de Luz. Com a chegada de uma nova Hierarquia -a Quarta Dinastia sagrada de Shambala-, especialmente com o advento do Messias cósmico, Metatron, surge no mundo a mais resplandecente Revelação, na forma da Tradição divina da Cúpula de Cristal, a ciência da Mercabah desdobrada e aplicada em todos os seus matizes luminosos e angelicais.
A Cúpula de Cristal é a grande Revelação espiritual outorgada à Quarta Raça sagrada da Terra e, especialmente, à sua hierarquia reitora, sob as quais teremos a consumação de todas as coisas. É a dádiva da Quarta Dinastia de Adeptos aos filhos da Sexta Raça-Raiz, com a qual se inicia um novo grande ciclo cósmico.
As portas de um ciclo cósmico devem ser abertas com uma chave cósmica, e esta é a gloriosa Chave Cromática da Cúpula de Cristal e seus mistérios. A cor e o som serão profundamente observados e criteriosamente empregados. O desenvolvimento atual, ainda que decorra em linhas muitas vezes caóticas, mostrará pela dor a importância do som e da cor da sociedade.
A Chave Cromática da Cúpula de Cristal
Alice A. Bailey registra algumas profecias do Tibetano sobre o futuro emprego do som e da cor na civilização: "A música será grandemente empregada na construção e, dentro de cem anos, será uma característica em certo trabalho de natureza construtiva. O ensino de religião no mundo e o inculcar da virtude serão igualmente revelados em termos de cor. As pessoas serão, finalmente, agrupadas sob a cor de seu raio. A ciência dos números, sendo na realidade a ciência da cor e do som, mudará, de certa maneira, sua fraseologia, e as cores substituirão, por fim, as figuras." (Cartas Sobre Meditação Ocultista, pg. 249 ed. ing.)
Ainda que os símbolos tendam a dar lugar à cor reveladora, a forma não será de todo "proscrita", até porque a energia também gera formas. Por isto toda a ênfase será posta na forma da energia, e não na energia da forma como tem sido.
Estes mistérios partem dos arcanos da Quarta Raça Sagrada e incluem os Grandes Mistérios do novo Ciclo Maior. A Tradição Tetralucis traz os códigos de Eternidade para a raça humana e permite a consumação do plano terreno. Já a Cúpula de Cristal representa a nova Tradição de Sabedoria Cósmica que traz os códigos de Infinitude para a Terra crística. Chega uma nova época para a humanidade, e a luz deve ser implantada da forma mais plena, para que uma nova civilização sirva de veículo para as virtudes necessárias à elevação do planeta.
Com a passagem do Quarto Ciclo Cósmico, os perigos para o planeta terão sido superados. As crises entre matéria e espírito que caracterizam esta Ronda estarão ultrapassadas. A humanidade iniciará a transitar decididamente no plano espiritual, empregando a matéria para as suas conquistas sutis, tal como é o verdadeiro plano do Criador. A Quinta Onda Cósmica será espiritualidade e conhecimento real das energias universais, à disposição dos homens para evoluir na direção da luz. A Tradição da Cúpula de Cristal representa esta nova Síntese.
A Cúpula de Cristal é uma revelação universal. A História mostra que estamos numa época de universalismo. Mas ser universal não é apenas reunir gatos num mesmo balaio. Pode-se ser universal sustentando uma Verdade rica e útil para todos. Mas também, certamente, é preciso saber valorizar aquilo que cada um tem de verdadeiro. Um espírito aberto inevitavelmente conduzirá a algo novo. Ainda assim, a novidade não deve ser desvinculada do passado, porque senão seria como uma árvore sem raízes.
Renovar o mundo é o que se exige, mas sem desprezar as antigas verdades que servem como solo firme para o futuro. Sob a luz prismática da Cúpula de Cristal todas as tradições são renovadas. Xamanismo, Budismo, Hinduísmo, Cristianismo, Islamismo, Maçonaria... há lugar para todos.
Os Mestres da Cúpula de Cristal falam a linguagem dos anjos. É a linguagem cromática das harmonias celestes que surge soberana sobre os fundamentos solidamente estabelecidos na Terra. Trata de cores, formas e vibrações que expressam a essência mais sutil do mundo. As cores e as formas possuem grande poder indutor, ultrapassando os conceitos mentais (sem pretender excluí-los) em sua capacidade de sugestão. Atuam diretamente na psique, quase como a música. É a fórmula adequada à nova humanidade e particularmente na nova Hierarquia, que deve assimilar os valores e a energias mais sutis.
O "Brilhante" ou o reluzente ba-guá da Cúpula de Cristal
É chegada a hora da humanidade incorporar esta dimensão, o que certamente irá acontecer a nível de Hierarquia. Os novos Mestres se caracterizam pela Sexta Iniciação, relacionando-se diretamente ao plano angelical. Por isto, a nova Tradição de Sabedoria, que é um acervo puramente espiritual, se apresenta desta forma sutil, translúcida e luminosa. Esta é a Tradição dos Mestres da Liberdade Total.
A Pirâmide é um símbolo da Cultura Sagrada. Representa a síntese das energias e o poder sobre o caos. É o poder da alquimia sobre a matéria-prima original. Mas esta matéria deve estar antes em estado de equilíbrio. E tal coisa apenas se encontra no meio-do-mundo, ali onde os quatro elementos, em harmonia, dão naturalmente lugar à Quintessência, resultando em aspiração pelo sagrado...
O mundo em questão é o Novo Mundo, síntese das antigas raças, buscando uma nova Humanidade. Esta Pirâmide paira sobre o oceano verde dos pampas. E ela se encontra sob o arco-íris da História.
A nova estrutura é uma Pirâmide de Fogo. Para iluminar os caminhos de luz da nova humanidade. E a pirâmide da Mercabah também está inscrita no horóscopo divino de Metatron, assim como as harmonias dos dharmas pela unidade dos opostos.
A Pirâmide cósmica da Cúpula de Cristal
A Cúpula de Cristal representa, também, uma prática espiritual. Na "Ioga do Trono" o indivíduo atua como o receptáculo de uma energia superior, de ordem hierárquica. Mas para isto, é necessário antes "configurar o trono" através das iniciações básicas, empregando os recursos da Tradição Tetralucis, que está na sua raiz. Isto significa que, antes de se pretender atuar a nível de Hierarquia, é preciso cumprir com todos os preceitos da Humanidade, como é o caso da Iniciação dos Quatro Elementos que constituem o Plano evolutivo humano. A Cúpula de Cristal se ergue sobre as quatro pirâmides raciais que são os Pilares do mundo.
A raça verbal/racional atual será substituída pela raça intuitiva/sensitiva futura. Nesta raça não haverão tantos equívocos e mal-entendidos, pois será mais difícil se iludir quando tratamos diretamente com energias. Conceitos podem ser enganosos e até falseados, mas com energias puras é mais difícil o engodo. Afinal, ao lado do Cetro Adamantino de Iniciação, uma das sólidas bases da Tradição Cúpula de Cristal é a Cadeira de Fogo que prova os candidatos à posse do Santo Graal.
A Mandala prismática
A Mercabah é pois a reunião de duas Tradições de Sabedoria, a humana e a hierárquica, no momento em que os reinos se encontram plenificados e integrados, resultando na maravilhosa imagem da Carruagem de Fogo que representa, a um só tempo, o ascenso da matéria e o descenso do divino; que leva os homens ao céus e traz os mestres à terra, que conduz a humanidade para a eternidade e a hierarquia para o infinito, permitindo, enfim o matrimônio cósmico do qual Metatron é o divino Rebento e Testemunho maior. A nova civilização mundial será por isto a cultura da Mercabah.
A Mercabah é a consagração de Metatron como artíficie consumado de Deus. É a refulgente obra-prima de arquitetura sagrada, sinal visível de Deus na Terra, símbolo máximo da sabedoria e da ciência espiritual, uma pirâmide viva, belíssima e notável, a visão dos Profetas sobre a máxima revelação divina.
A Mercabah reúne os mistérios raciais aos mistérios cósmicos, é o símbolo da Profecia Maior da Jerusalém celeste em seus dois níveis anunciados, a chegada do novo esperado sobre a base do antigo plenificado, na imagem da Terra divinizada.
A Cúpula do Cristal é o fruto da ascensão da Terra e da Hierarquia, em termos reais e definitivos, para além das esferas sistêmicas. A Mercabah é a Nave cósmica que conduz a Terra para um novo patamar de glória. E é o Memorial da Luz que anuncia a presença do Profeta supremo de Deus na Terra, na suma revelação dos mistérios divinos e na manifestação sensível da síntese de toda a ciência sagrada, é, enfim, a coroa refulgente da sabedoria dos homens, dos anjos e dos deuses.

Nos Bastiões da Cidadela Quadrangular

(A Cúpula de Cristal - Poemas Arautos)

"Naquele dia levantarei a tenda desmoronada de Davi." (Amós 9,11)
"...então os elementos se conflagarão em chamas..."
(2 Pedro 3,10) "Mudarei o destino de meu povo..." (Amós 9,14)

"...e suas mentes adquirirão a transparência do cristal". (Vishnu-Purana, IV, 24)

A CÚPULA DO CRISTAL é...

...a mitra que encabeça à Árvore da Vida;
...o triângulo que coroa a Árvore Sefirótica;
...os três pomos de ouro das Hespérides;

...o chapéu cônico dos Divinos Artífices.

"Sobre as cabeças do serafim, havia algo que parecia uma abóboda, brilhante como o cristal..." (Ezequiel 1, 22-3)
"Mostrou-me depois um rio de água da vida, brilhante como cristal, que saia do trono de Deus e do Cordeiro." (Apocalipse 22, 1)

I

A Seara

"Terminou o éon, o trabalho foi realizado. Se detiveram as estrelas. O Eterno Uno exclamou ao céu mais excelso: 'Exponham o trabalho. Apresentem as Pedras'. E eis que as Pedras eram Uma."

Estancias de Dzyan, IV (Tratado Sobre Fogo Cósmico, A.A.B.)

Saudações aos Egressos.
Realizada foi a Grande Travessia*
E eis que achamo-nos já no interior dos portões do Novo Mundo,
Para onde fomos conduzidos pela mão segura do Mensageiro,
Que como um Cristóvão Colombo eterno
Transportou a nau terrena em direção às praias cósmicas.
Esta fora uma viagem, não exatamente
pelo tempo e espaço físicos,
mas pelas escalas internas de nosso cosmos
na direção de seu Centro Maior:
O Sol Central espiritual, no rumo da Estrela Azul.**

Largos foram os Éons passados nas espirais do Ciclo.
Muitas as gerações que prepararam este Momento,
cada uma delas trabalhando de modo a acrescentar
mais um degrau na Escada celeste
na qual o planeta finalmente se aproxima de seu topo.
Cento e quarenta e quatro mil foram o seu número.
E hoje reune-se o produto destilado destas gerações
formando a Legião dos Eleitos
que constituem a seara do Novo Mundo.
São eles no mesmo número das gerações do Grande Éon.***
cada qual trazendo um Guardião da Barca de Rá,
a legião de Iniciados solares,
"uma geração de reis e sacerdotes",
reunida diante dos Portais do Novo Mundo,
a aguardar sua abertura
pelo Senhor-Que-Reina-Sobre-O-Tempo.

E eis que o Pentagrama traz a data: quinhentos anos
após aportar Garuda ao Novo Mundo,
abrem-se as Portas diante do "solitário-que-mira-a-sí-mesmo",
e mira elevado sobre Janus por Saturno áureo;****
quando por fim ascende Uroboros,
a serpente que morde a própria cauda.

* Pessach (Páscoa), em hebraico.
** Sirius.
*** 144.000 x 30 = 4.320.000 = um Maha Yuga.
**** 11:11:11

II

O Juiz

"Com o advento do Enviado o céu da paz reinou na terra. O planeta cambaleou e vomitou fogo. Uma parte se elevou. Outra caiu. A forma se transformou. Milhões tomaram outras formas ou ascenderam até o lugar de espera designado. Esperaram até que lhes chegasse novamente o momento de progredir."

Estâncias de Dzyan, X (Tratado Sobre Fogo Cósmico, A.A.B.)

Há dois mil anos soava a nota setenária
mantida na atmosfera interna do Planeta pelo Cristo.
Sete foram os degraus que alcançou este Irmão Maior
Quando abandonou a superfície da Terra.

Desde então sua Nota vem ressoando através das gerações,
contadas como 72 discípulos "enviados à sua frente"
até o seu Retorno Glorioso,
ou como os 72 sequazes de Seth que arremessam
o féretro de Osíris nas águas do tempo.

E na medida em que conclui o período,
tendo as gerações cumprido sua tarefa
de assimilar a Ordem Setenária,
um novo Impulso deve ser dado então
ao tônus racial assim estabelecido.

Retorna por isto Aquele, que é o Juiz das Gerações,
para estabelecer o novo "anel-não-passarás",
de modo que apenas uma certa qualidade de almas
tenha acesso à nova atmosfera racial.
Assim são os desígnios do Senhor,
e não há quem possa contra Aquele
cujos propósitos estão inscritos nas pedras: El-Shaddai!

III

A Escada

"Enviaste os teus Sete Filhos ao Senhor da Sabedoria. Sete vezes ele te vê mais perto de tí, sete vezes mais ele te sente."

Estancias de Dzyan, IV (A Doutrina Secreta, H. P. B.)

Uma Hierarquia nos foi dada,
uma Escada para os Egressos do planeta.
Nela, registrávamos a nove degraus,
encimados pelo Senhor-Que-Reina-Por-Todo-O-Sempre.
Este, o Mestre do Eneagrama,
é o que chamamos O Grande Sacrifício,
o yogue supremo que olha por seu filhos na Terra,
o "Jovem Eterno" como também é conhecido.

Este é o Olho-Que-A-Tudo-Vê,
É o Manu, o Dragão que habita os Polos,
O Zero Absoluto que integra Princípio e Fim, o equilíbrio dos ciclos,
a Forma original e o Protótipo da raça,
o Senhor-de-Todos-os-Raios e Aquele que os enfeixa entre si,
O Senhor-do-Raio-Único; o Pai de todos nós.

E veio de muito longe este Pai,
para ser a Alma de nosso mundo,
a fim de que um dia surgíssemos,
e sobre ele por fim reinássemos em paz, soberanos.

Pois bem; este, o Senhor da Cúpula, já não está só,
feito que seu Primogênito já lhe comparte o Trono.
E este nós o conhecemos, é o Mestre do Cristal, o Cristo.
Com ele estamos desde nossos primeiros passos,
posto ser nosso Irmão Maior.
E foi ele que abriu os Portais
pelos quais todos os destinados passariam.

Por meio daquela Escada, conhecemos
os Senhores e os degraus do arco-íris.
Por seu intermédio, aprendemos que a luz
é a mestra da Alma, e que os Anjos são nossos guardiães eternos.

Por meio daquela Escada aprendemos a amar.
Mirando seu topo, rogamos para que nos fosse
dada a luz e a sabedoria,
as quais são um só, e foram Sua criação primeva.

E desde aquele Olho aguardávamos
o alento para nossos dias.
Andamos pela esquerda e procuramos à direita,
pois a Igreja e a Ordem formam suas mãos.

Arriscamos contemplar sua face e adormecemos a seus pés,
pois o cosmos e o mundo formam
a dimensão de seu prumo.
Sim, "como é em cima é am baixo", diziam os Antigos.
E eis que és o Alquimista-mor,
que reúne as águas do abismo
e a transforma na seiva da ressurreição.

IV

A Chave

"Tres são as cores do ciclo que se consideram como o quarto."

Estâncias de Dzyan, XIII (Tratado Sobre Fogo Cósmico, A. A. B.)

Sobre o Cavalo Branco ele chegou, o Cavaleiro do Cristal.
"A espada! A espada está afiada e polida;
Três vezes vibra a espada, a espada dos trespassados".*
Na raias do Cristal ele aportou
E os céus então se abriram, e todos viram

"o filho do Homem chegando com as nuvens".**

Com sua chegada, a Escada ascendeu
sobre si e o prumo foi despejado ao largo.
Sem medições, "até que passem 42 meses".
E então, o Templo já não é mais...

Por quatro cores ele passou, a Pedra enjeitada,
até atingir a alvura do Cristal.
Em quatro saídas e quatro retornos se exercitou
pelas bordas do Cristal.
Foi ele o Cavaleiro Negro, foi ele o Cavaleiro Pardo,
foi ele o Cavaleiro Verde, foi ele o Cavaleiro Branco.

E assim, um após outros, os quatro ventos cavalgou.
Suas mãos manteve vazias para carregar o raio e a cruz.
E diante da Pedra maravilhosa recebeu a Nota:
três cores-mães reunidas como espadas convergentes,
e através delas, 12 formas comuns.

No total, 144 vértices mágicos: a alquimia absoluta da Forma,
a reciclagem das forças do Cosmos: a Pirâmide de Luz!
Desdobra-se assim a serpente das águas no dragão celestial.
E as horas da Noite nas horas do Dia se transformam

Com as serpentes liberadas em torno do Cristal.
Pela espada foram cortadas as serpentes,
e pelo cajado elas foram elevadas.
A espada perspassou as nuvens
e a serpente floresceu em lótus.
Esta é a Chave do Trabalho do Sol.
A Revelação revela o Revelador.

* Ezequiel 21, 9.
** Mateus 24, 30.
*** Apocalipse 11, 1 ss.

V

O Propósito

"As primeiras Grandes Águas vieram. Elas submergiram as Sete Grandes Ilhas. Salvos todos os Justos, destruídos os Ímpios. Com estes pereceu a maior parte dos grandes animais produzidos pelo suor da terra."

Estâncias de Dzyan, XI (A Doutrina Secreta, V/III; H. P. B.)

A Chave tem o Propósito.
E este é o de compensar as obras do Ferro
e conduzir o Cubo à sua coroação.
A Chave tem o poder de congregar as Serpentes:
por isto elas foram liberadas - cuidado!

Na Chave, podemos observar as Notas-Mães de todo o Cosmos
Convergindo entre si para dar lugar ao Coração do Cristal.
Ao todo, são 13 formas superpostas.
E se aplicadas à pirâmide, serão 52 ou 156 ângulos - Adonai!
Nas formas menores, teremos então 144 - ADD,
O primeiro; DAD, O Pai!

O reino de Deus sobre a Terra
pela Cúpula do Cristal.
pelas penas de Quetzal.
Foi-nos dada a CHAVE.
E esta é a chave dos Filhos do Sol.
Fazei uso da Chave!

VI

A Nave

" O aspecto das rodas e sua forma tinham o brilho do crisólito. Todas as quatro eram semelhantes entre si."

Ezequiel, 1,16

A Nave é aqui.
Lapidada fora a pedra,
e da terra brotou o cristal.
Esta é a Arca, este é o Sol.
Nela desfilam os Filhos do Destino,
os quais são a colheita do amor.

Da Cúpula emana uma Ordem,
e esta é pelo Amor.
Suave é o Caminho,
sob o manto de flores do Senhor!

A Nave é aqui.
E esta é a Nave dos Perfeitos.
Mas estes, não são os que se julgam ser
-os que não caem, pois estes tampouco se levantam.

Existem homens melhores e piores -e isto é tudo.

E os melhores são aqueles que sempre se levantam
Pois somente assim a colheita da vida sorrirá no horizonte
quando do solo da experiência rebrotarem as flores da Perfeição.

Os Perfeitos de que se fala
Não são tampouco os Senhores Alados do Tempo,
Mas aqueles que amam os horizontes
Sim, os que acalentam a idéia de conviver
com os horizontes, dia trás dia.

De modo que, mesmo em seus passos tíbios,
Deus, que é Amor, abençoa seus peregrinos
Pois Ele já vive em seus corações,
para de lá lhes guiar pela doce estrada dos sonhos.

VII

A Partida

"Eu tive uma visão durante a noite. Eis: Um homem montado um cavalo vermelho estava parado entre as murtas que haviam num vale profundo; atrás dele estavam cavalos vermelhos, alazões e brancos. Eu disse: 'Quem são eles, meu Senhor?' E o homem que estava entre as murtas respondeu: 'Estes são os que Iahweh enviou para percorrerem a terra'."

Ezequiel, 1,16

Nas saídas e entradas nos exercitamos
Sob a guia da Estrela.
E os caminhos foram os do exílio e da perseguição.
A sina do Graal diante da terra gasta;
pois éramos apenas pedaços de nós.

Algures estava a Fonte, e o caminho era imponderável.
À solidão da jornada, somente tínhamos a contrapôr
a alegria da nossa esperança
e a voz do coração a dizer
reiteradamente a nós, geração:

– Parte na aurora da vida
abraçando os horizontes longínqüos
fecunda os muitos caminhos
na cadência de teus passos.

– Procura o ritmo do labor
e ascende na escada dos dias,
porque como tijolos vivos
edificareis a escada do porvir.

– Deixa cair no pó da estrada
as tuas lágrimas de prata,
porque será deste barro santo
que será moldado o Novo Homem.

VIII

A Sina

"...a Palavra de Deus é viva, eficaz e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes; penetra até dividir alma e espírito, junturas e medulas."

Hebreus, 4,12

Sabíamos de há muito
que o véu das estrelas
um dia seria levantado
E que na encruzilhada do Destino
um passo já definiria o caminho.

Por isto demos um passo.
Mesmo nos arrastando, demos um passo, tendidos...
Porque, após nós, viriam outros
que começariam já a se levantar, combalidos...

E depois deles, surgirão, com certeza
aqueles que ousarão caminhar, feridos...
Até que um dia, virão aqueles futuros
que ousarão correr, decididos...
E então, por fim, alçarão alguns
suas asas e voarão, destemidos..!

IX

O Louco

"No princípio... a terra estava vazia e vaga, e as trevas cobriam a face do abismo..."

Genesis 1,1-2

A serpente traçou as marcas na areia
e o Louco seguiu-lhe os rastros.
Na sua trouxa a esperança
e em seus passos a certeza,
servindo de asas sobre o abismo.

Ele – o senhor do Propósito.

E o Louco tingiu-se de flores,
e fez da ira o seu móvel pertinaz.
Ferido, procurou no deserto
as marcas das serpentes.
E pelas trilhas do tempo seguiu,
indiferente às pedras, ao ladrar dos cães e às feras.

Ele – o divino pendão da Inocência.

O Louco viu e soube,
e suportou o trespassar dos grilhões.
Vara que arqueja sem romper-se,
seiva que penetra sem deter-se.
Aço temperado no gêlo e na brasa,
espada em riste de dupla lâmina.

Ele – o Guardião da Justiça.

Por paixão infinda foi movido.
Espremido sob o torno dos deuses,
destilou a água da vida no abismo
até que uma nova Criação tivesse lugar.

Ele – o Senhor da Paz.

Farol que penetra as nuvens
e revolve as entranhas do caos,
luz que dissolve as sombras,
ozônio que renova o ar.

Ele – o Amigo.*


* Maitreya, em sânscrito.

X

A Promessa

"Eleva-te com teus pensamentos
E um milagre de cores alegres
resplandecerá nas estrelas do Cruzeiro do Sul."
Folhas do Jardim de Morya, I, H. R.

Quão longe está o filho da terra
de compreender a beleza da Promessa...
Pequenos são os desejos
e jovens os sonhos dos filhos da terra,
perante os desejos e os sonhos do Senhor do Destino.

Ah! A Promessa... Pudera o filho da terra
saber que a semente dos sonhos
brotou no coração da Luz,
Que lá teve ela guarida, alimento e viço,
vindo a despejar-se na terra
para multiplicação qual vinho
derramado para nossa redenção...
Após o que, o Senhor recolheu
a colheita e separou a erva boa da má.

Ah! Por quê não recorda o filho da terra
que todo o amor, em amor sendo,
é Um só e que o Caminho para a divina aliança
–o primeiro Noivado–
esteve apontado pela sombra da cruz..!

Por isto, ó filho do homem,
faz teu o desejo do Senhor
faz teu o sonho do Criador
e compreende o coração de toda a vida
permitindo a consumação da Aliança!

XI

A Pátria

"...O Arco-Íris de Buda traz a afirmação da lei da vida."

Folhas do Jardim de Morya, II, H. R.

Sete são...

as cores da Luz;
as notas do Verbo;
os modos do Amor...
Aprende-os todos, e serás Um.

Com o vermelho, teus passos se afirmam
na direção da magestade do mundo;

Com o laranja, o raio de tua alma
abraça o arco de suas influências;

Com o amarelo, os frutos mais lídimos
florescem de teu ser;

Com o verde, a proteção da Grande Mãe
te serve e conserva;

Com o azul, os espaços da alma
são iluminados e irradiam;

Com o violeta, a mão do Mestre pousa
sobre tua fronte como pomba agraciada;

Com o branco, o Reino abre suas portas
sob o manto estrelado do Senhor do Cristal.

XII

O Reino

"...seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu."

Jesus Cristo

As Novas Moradas se acham
prontas para a habitação.
Doze Portas tem o Reino.
Nelas se atravessa os Caminhos do Ser.

A Senda dos Espelhos sãs chaves do Eu
trazendo por fim a Imagem Amada
que cada um porta em seu coração.

Trabalhar na construção do Reino
em seu momento e lugar
foi sempre o maior Sonho de Serviço
dos melhores homens da Terra.

O Reino é a Perfeição em todas as coisas.
Em qualquer mundo que se atue ou vá
os trabalhos prosseguem
e os frutos áureos permanecem sendo colhidos.

O Reino é o Portal da Plenitude e da Eternidade.
E ele se abre aos sábios privilegiados
neste grande Final de Ciclos.

Bem-Vindos sejam, ó sábios do Amanhã e do Eterno!




Adendo

A TRÍPLICE INTEGRAÇÃO.

Nove são os pontos de contato
entre as Três Formas Fundamentais do Cosmos:
o triângulo, o círculo e o quadrado.

A primeira representa o reino do Espírito,
a segunda expressa o universo da Alma,

enquanto a terceira denota a expressão da Matéria.

Dos 9 pontos de contato entre as Três Formas,
3 são entre o triângulo e o círculo,
4 entre o círculo e o quadrado,
e 2 (aproximados) entre o quadrado e o triângulo, através do círculo.

Isto significa, por exemplo, que, no decurso das Idades do Mundo,
dois ciclos mantém o contato com o Reino (Shamballa),
através da Hierarquia, enquanto que nos outros dois,
o contato se dá praticamente apenas com esta última,
ou seja, a própria Hierarquia.

Atualmente, o cubo volta a contatar o triângulo,
constituindo esta tríplice integração a Cúpula de Cristal.